Calor pode fazer CBF aumentar paradas médicas

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calor-esporte-1As altas temperaturas preocupam o futebol brasileiro. E não é só no Piauí, onde seis jogadoras desmaiaram nesta quarta (23), em uma partida disputada sob o calor de mais de 40ºC.

A CBF avalia duas medidas. Primeiro, permitir a realização de “paradas médicas” também nos jogos da tarde. Atualmente, essas interrupções de três minutos praticamente se restringem às partidas das 11h aos domingos.

Além disso, os jogos matutinos podem ocorrer com uma frequência menor e até deixar de acontecer.

Nessa última hipótese, os confrontos de Santos e Internacional, na Vila Belmiro, e Atlético-PR e Ponte Preta, na Arena da Baixada, previstos para este domingo (27), podem ser os últimos às 11h, horário do Brasileiro lançado nesta temporada.

O mais provável, contudo, é que aconteçam com menos regularidade.

Em reunião na quarta (30), a Comissão Nacional de Médicos da CBF vai analisar dados de todas as rodadas para definir que medidas tomar.

O novo horário caiu no gosto dos torcedores, mas tem causado chiadeira entre os jogadores, que se queixam das mudanças da alimentação e, especialmente, do calor.

“Horrível”, comentou sobre a experiência o meia corintiano Renato Augusto à Folha há duas semanas.

Para o médico do Santos, Rodrigo Zogaib, a partida pela manhã tem levado a um aumento das queixas de cansaço por parte dos atletas do Santos, que joga pelo terceiro final de semana seguido às 11h.

“Fisiologicamente, não é benéfico. Além do cansaço, há mais dores musculares.”

RISCO À SAÚDE

Para monitorar a situação dentro de campo, a CBF tem utilizado um aparelho desenvolvido para a Marinha dos EUA, chamado WBGT.

O instrumento faz um cálculo levando em conta quatro aspectos: temperatura, umidade do ar, vento e impacto da radiação solar.

A partir desses dados, o aparelho fornece um índice que permite avaliar o risco para os atletas.

A Fifa, que também usa a tecnologia, diz que 32 é o número máximo dessa equação para que não haja perigo à saúde dos atletas.

Segundo o presidente da Comissão Nacional de Médicos, Jorge Pagura, nenhum dos jogos do Brasileiro deste ano chegou a esse limite.

“Já estamos estudando a tendência da temperatura nas próximas semanas. Ou vamos cancelar os jogos das 11h ou faremos um rodízio maior e escolheremos regiões menos sujeitas às altas temperaturas”, disse Pagura. FOLHAPRESS

Roberto Brasil