BRIGA DE “CACHORRO GRANDE”

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Ademir-RamosO governador José Melo que se cuide porque o senador Eduardo Braga, que pouco caso faz ao mandato que o povo do Amazonas lhe outorgou, depois de ser deposto do Ministério das Minas e Energia voltou faminto, cuspindo fogo pelas ventas, movendo todas as forças para desestabilizar o governo Melo, visando unicamente se apossar do Governo do Estado, que ele julga ser de extensão do seu domínio, tratando o povo como se fosse boiada, que toca no grito para onde quer. A prepotência do senador ganhou mais força a partir do momento que acumulou poder no Governo petista de Dilma Rousseff, ampliando sua rede de articulação, embrenhando-se em Brasília de forma difuso pelos bastidores do poder. Desta feita, aprimorou-se cada vez mais na “arte de enganar” plantando notícias carimbadas só que desta vez, não mais na Ribeira, mas, possivelmente, valendo-se da sucursal do Planalto junto à Rede Globo de televisão. Assim tem feito para intimidar o Poder Judiciário local e com isto condenar os seus oponentes à revelia do sagrado rito da Justiça, afrontando o Direito e seus magistrados porque para esta gente talvez a sorte favoreça mais aos corruptos do que aos homens de bem e assim sendo, os fins justificam os meios. Esta briga, como bem disse o Juvenal, um dos feirantes do Coroado, “é de cachorro grande”, referindo-se a versão amplamente divulgada pelo Fantástico no domingo (5) que beneficiou diretamente o senador Eduardo Braga. Entretanto, registra-se que o processo já tramita no Tribunal Regional Eleitora do Estado a quem compete apurar a veracidade dos fatos e se comprovado deve-se julgar e condenar os responsáveis na forma da lei. Mas, o que está em jogo? Por que desestabilizar o governo Melo, sabendo que o único prejudicado será o povo do Amazonas? Quais são as razões que movem o senador Eduardo Braga para consecução dos seus fins? A quem compete julgar e punir os supostos criminosos não é a Justiça, então porque afrontar o Poder Constituído?

EDUARDO, O JUSTICEIRO é assim que o senador tem agido por estas paragens. Embora, o Impeachment da presidente Dilma Rousseff tenha ensinado a todos que na Democracia a força do Direito é a âncora dos Poderes Republicanos e que ninguém está acima das leis. Por aqui pouco caso se faz a estas práticas, preferindo agir no grito e na força bem no estilo das oligarquias dos seringais, que no passado contavam também com o apoio da polícia para resgatar os seringueiros “em débito” estivessem em Manaus ou Belém eram capturados por ordem do patrão e levados na marra para o seringal. A bem da verdade tanto o senador como o governador são oriundos da mesma escola política, sofrem influência do “modus operandi” da oligarquia que arrebatou o Estado para fins particulares. Ambos, respeitando as idiossincrasias dos agentes, encontram-se culturalmente prisioneiros a um passado marcado pelo mandonismo centralizador à moda dos barões da borracha como bem caracterizou Álvaro Maia, em seu “Banco de Canoa”, quando afirmava que: “Tais homens são senhores absolutos de seus peões. Para eles são os melhores produtos da terra, a melhor caça, o pescado mais fino.” (1997:77) O povo, dizem eles, é apenas uma vírgula que posso mover de acordo com a conveniência do discurso a ser proferido. No entanto, o tempo mudou, a história tem mostrado o quanto o povo do Amazonas tem lutado para garantir suas conquistas e assegurar os seus Direitos quanto ao acesso às políticas públicas e assim como os trabalhadores dos seringais se rebelavam contra o trabalho escravo imposto pelo Regime de Barracão, os trabalhadores do Amazonas também não aceitam mais os gritos, o esbulho, o discurso midiático justificando as reformas imposta como bomba que atinge diretamente nossa gente provocando danos irreparáveis na saúde, educação, segurança, cultura, entre outros. O que nos assusta é constatar que estes “barões da política do Amazonas” continuam comportando-se como se estivessem acima do bem e do mal apostando na impunidade e na força do capital visto que para eles todo homem tem o seu preço.

NESTA CONJUNTURA a cabeça do prefeito Arthur Virgílio Neto, está a prêmio. No primeiro combate, Eduardo Braga levou a melhor, contando com toda artilharia do PT conseguiu eleger a comunista Vanessa Grazziotin, senadora da República pelo Amazonas, provocando o antegozo celeste de Lula e dos cardeais do PT. Pois, até hoje eles não engolem a ameaça de Arthur Neto em “surrar o Lula” se sua família sofresse alguma violência a mando do Poder Executivo de então. No segundo embate, Arthur Virgílio Neto disputa a Prefeitura de Manaus e merece do povo de Manaus seu reconhecimento nas urnas sendo diplomado Prefeito da capital do Amazonas. A vitória de Arthur Neto neste pleito representa uma fissura na unidade oligárquica governamental e ainda mais se consumada a sua reeleição a frente da Prefeitura de Manaus, o futuro político de Eduardo Braga e de seu grupo político encontra-se ameaçado e por esta razão os holofotes da política voltam-se para os fundamentalistas religiosos com a pretensão de barrar o novo reordenamento político que se desenha no cenário nacional, em realinhamento com as forças políticas no Amazonas sobre direção de Arthur Neto, Omar Aziz e José Melo. Embora as metralhadoras do senador Eduardo Braga alveje diretamente o governador José Melo, o alvo é o Prefeito de Manaus Artur Neto, que deverá disputar a reeleição no próximo pleito, construindo um arco de aliança, que, possivelmente, poderá se converter num bloco político comprometido com uma agenda de governo suprapartidária centrada na Questão do Desenvolvimento, em atenção à definição de novas estratégias de superação da crise, que diretamente atinge a todos e em particular os trabalhadores excluídos do processo de trabalho, visto que a crise além de excluir é capaz de inviabilizar novos investimentos, acelerando mais ainda a pauperização de nossa gente. Nesta guerra “de cachorro grande” está em jogo o controle de mais de 60 bilhões do orçamento do Estado estimado para os quatro anos e, por consequência, o domínio do território eleitoral de forma hegemônico, manipulando os meios convencionais ou não, para garantir o continuísmo afrontando deste modo, a alternância do poder, a soberania popular e, sobretudo, o respeito aos valores republicanos, bem como, a afirmação do Estado de Direito numa perspectiva participativa com reconhecimento dos movimentos sociais enquanto instrumento de controle e luta de nossa população. O Jogo é pesado e estejamos atentos às novas estratégias e táticas tanto na mídia como na Justiça para atingir o Governador Melo e, particularmente, o Prefeito de Manaus Arthur Virgílio do Carmo Neto.

Roberto Brasil