BRASÍLIA: MORADA DAS ANTAS

By -

Ademir-RamosA narrativa política nacional está permeada de varias representações do universo mítico das culturas tradicionais para explicar as “pedaladas” do governo petista e de sua camarilha. Neste contexto é importante destacar que a política se apropria das alegorias míticas para denunciar a qualidade dos atores em comparação com os animais que povoam o imaginário das representações culturais formadora de nossa etnohistória. Neste campo, as representações míticas são temas recorrentes identificadas nas práticas e condutas de alguns políticos às vezes comparados à astúcia e habilidade dos nossos heróis míticos. Mas, quase sempre tais comparações são para desqualificar os agentes míticos do nosso fabulário Amazônico, como bem definiu Câmara Cascuda, no “Dicionário do Folclórico Brasileiro”.

A Anta, por exemplo, que é o maior mamífero das nossas florestas quase sempre é identificada com “obras sem função, sem projeto, sem CNPJ”, tais empreendimentos passam a ser apelidados não mais de elefante branco, mas de “Anta branca”, é o caso do Centro de Biotecnologia da Amazônia, que foi concebido unicamente para beneficiar determinada empreiteira, alimentando este sistema político corrupto com lavagem de dinheiro e repasse de propina para os políticos palacianos. Em assim sendo, Brasília também está enquadrada nesta tipificação por não assegurar a Nação, os Direitos Fundamentais lavrados em nossa Carta Magna.

A ANTA DE BRASÍLIA: A capital federal passa a significar, politicamente, a morada das Antas, que de tão pesada, não se mobiliza para dar respostas aos problemas nacional, enquanto isto ocorre, a Anta de Brasília foi reduzida a chefe de Estado, como a Rainha da Inglaterra, participando dos convescote da República, sendo incapaz de operar algum realinhamento da economia e sequer promover a sustentação de unidade política para assegurar governabilidade. Nessa circunstância, não se sabe até quando o povo vai assistir de camarote o desmantelo da Republica. Por esta razão Maquiavel ensinou a todos que na política, “não basta somente a força do leão é preciso habilidade da raposa”.

O JABUTI EM CENA: Se a força do leão não basta e da Anta muito menos entra em cena o Jabuti, que também é ardiloso, astuto e habilidoso como a raposa. Este agente faz parte do mundo mítico criador dos povos indígenas da Amazônia, é o nosso “herói invisível”, segundo Couto de Magalhães. No entanto, a Anta e o Jabuti são desrespeitados quanto à sua competência e habilidade pelos políticos palacianos. Do Jabuti, os políticos falam que ele foi encontrado em galho de árvore ou quando não, colocado em determinado projeto de lei e até mesmo nas medidas provisórias com objetivo de beneficiar grupos poderosos, contrariando os interesses Republicanos. O fato é que o Jabuti é constantemente comparado com “pau mandado” ou “armadilha legal” para beneficiar determinado grupo econômico em afronta aos valores Republicanos. Às vezes determinada pessoa é alçada a função de governo não sabendo patavina do ofício e aí a resposta que se tem é que ela é “pau mandado” de fulano ou sicrano como um Jabuti na árvore que só sai de lá se for removido pelo político mandante. Contudo, quando articulada suas forças, a Anta e o Jabuti traduzem múltiplas significações além do realismo político de Brasília, tornando-se assim, capazes de renovar a política seguido de seus atos numa perspectiva concreta e legítima. A força exaltada da Anta quando calculada pode ser útil para consecução dos objetivos políticos nacional, a requerer os meios necessário para operar numa determina direção contando, sobretudo, com a astúcia e habilidade do Jabuti.

A DESLEGITIMIDADE DO GOVERNO: Nas relações de poder, a Anta está para o Jabuti assim como a Virtù está para Fortuna é o que nos ensina o mestre Maquiavel, em “O Príncipe”. A discussão, portanto, volta-se para luta pelo poder e saibam todos, principalmente, os governantes, que o povo conserva-se alheio a este estado de coisa enquanto processa a compreensão dos fatos sob o impacto da dor da miséria, do desprezo e do ódio. Eis o conselho de Maquiavel “o Príncipe deve se fazer temer de tal modo que, se não for amado, pelo menos não seja odiado”. Na verdade, o “desprezo e ódio” do povo contra os políticos e governantes manifestam-se por meio das vaias, da indiferença, do baixo índice das pesquisa de aceitação dos políticos e das promessas eleitoreiras. O desprezo é o sentimento daquele que foi cuspido, excluído da mesa, como se fosse desalojado da casa que julgava ser sua. O ódio também é sentido pelo povo como traição, irresponsabilidade e descompromisso, perdendo toda e qualquer forma de respeito para com o político e os seus governantes.

A esta altura, no contexto da crise, o Governo do PT perde legitimidade e com isso distancia-se cada vez mais da aceitação popular, não merecendo respeito e consideração porque além de roubar os sonhos de nossa gente querem eles também matar as nossas esperanças. Mas, antes que isto aconteça façamos juntos o que deve ser feito.

Roberto Brasil