Brasil paga agora por omissão do governo, diz editora da ‘Economist’

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"O Brasil tem muitos pontos fortes, um enorme potencial", destacou Zanny Minton Beddoes

“O Brasil tem muitos pontos fortes, um enorme potencial”, destacou Zanny Minton Beddoes

A editora-chefe da revista britânica “The Economist”, Zanny Minton Beddoes, 48, é categórica em dizer que o melhor para o Brasil, no momento, é um governo com credibilidade, efetivo e funcional e que seja capaz de colocar de pé uma série de reformas que considera essenciais para tirar o país da recessão.

Para ela, a presidente Dilma Rousseff perdeu as condições de governar e, por isso, deve deixar o cargo.

Ela se diz cética em relação ao impeachment pelo fato de, como a revista registrou em editorial, parte do Congresso estar contaminado com denúncias e sob investigação.

Para ela, Dilma e toda a classe política decepcionaram o Brasil, e o melhor a fazer é convocar eleições gerais.

Beddoes, contudo, diz que cabe apenas ao Brasil escolher, entre as opções disponíveis, a melhor delas para colocar o país nos trilhos e recuperar indicadores econômicos.

“O Brasil tem muitos pontos fortes, um enorme potencial. Quando um grande programa de reforma começar a ser feito, uma reforma genuína, você poderá ver um revés rápido.”

Ela admite que a explosão das commodities e do acesso ao crédito no Brasil foi equivocadamente confundido com uma melhora estrutural da economia, apesar de destacar que muitos avanços foram conquistados no país nos últimos anos.

Há pouco mais de um ano no comando da revista, ela tem como meta aumentar o número de assinantes. Para isso, tem investido pesado em mídias sociais –inclusive com conteúdo específico– e campanhas ousadas como, por exemplo, oferecer sorvete com insetos nas ruas de Londres.

Também lançou uma revista bimestral e mais convencional, a “1843”, com mais fotos e reportagens mais leves, que já conta com meio milhão de assinantes.

Tanto “The Economist” quanto Beddoes são liberais declaradas, ao estilo britânico –mais à direita no espectro político, a favor da livre competição e dos direitos individuais– e defensores do jornalismo opinativo e analítico.

Ainda assim, ela afirma que não apenas acredita que o Estado tem um papel a cumprir como vê nos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, uma forma efetiva “de reduzir desigualdade de renda, de melhorar desenvolvimento e indicadores educacionais e sociais”.

Roberto Brasil