Bolsa Família está para Deus como o Eike Batista para o Diabo, afirma Carlos Lessa na CPI do BNDES

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carlos-lessa-cpi-bndesEm mais uma oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES, os ex-presidentes do banco, Eleazar de Carvalho (2002/2003) e Carlos Francisco Lessa (2003/2004), foram ouvidos nesta quinta-feira (10.09) pelo colegiado em audiência pública. Eleazar disse em seu depoimento que não há política diferenciada entre o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os que o sucederam em relação aos critérios de concessão de financiamentos do BNDES, já Lessa revelou que de fato é contrário a doações para o grupo Eike Batista, e que este foi um caso feio.

O deputado Sérgio Vidigal (PDT/ES) perguntou ao ex-presidente Carlos Lessa se ele de fato disse que era contra a doação de mais recursos para o empresário Eike Batista.  “Eu pessoalmente acho que o primeiro mandato do Lula produziu reflexos muito importantes, como os programas sociais que tiraram milhares de pessoas da miséria, agora eu confesso que o caso do grupo Eike Batista foi um caso feio, me pergunto de onde saiu o grupo Eike, é uma espécie de cogumelo, a bolsa família está de um lado e o Eike de outro, um para Deus e o outro para o Diabo”, declarou.

carlos-lessa-cpi-bndes-02Lessa destacou ainda que na trajetória do Eike o grupo obteve algumas concessões e conseguiu acesso a lotes de campo de petróleo extremamente promissores.  “Como o grupo teve acesso a esses lotes ele alcançou um sucesso espetacular quando vendeu ações fora do Brasil, agora como se tornou isso eu não sei. Sair de uma posição secundária e assumir esse posto, e depois cair, realmente é muito estranho, daqui a pouco vão escrever um livro sobre essa história”, salientou.

O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA)  questionou o ex-presidente Eleazar de Carvalho se houve mudanças na política do banco em relação aos critérios de concessão de financiamentos do BNDES, depois da eleição do ex- presidente Lula. “Não houve nenhuma mudança na política de financiamentos do banco devido à transição de governo, nenhuma diferença nos critérios”, disse.

eleazar-de-carvalho-cpi-bndes-01Indagado também pelo presidente da Comissão, Marcos Rotta (PMDB/AM),  Eleazar revelou ainda que durante sua gestão no BNDES não houve perdão de dívidas pela instituição a nenhum País e assegurou que o banco é e sempre foi uma instituição rentável.

Para o presidente da CPI, deputado Marcos Rotta, a oitiva de hoje foi muito proveitosa, porque conseguiram mesclar questões técnicas e administrativas do banco com as políticas que envolvem a instituição.

“Tivemos uma excelente reunião, o Eleasar foi muito questionado e algumas perguntas ele se esquivou de responder, já o Carlos Lessa foi uma questão mais política, ele fez várias observações pessoais e respondeu a todos os questionamentos, que considero importantes para a Comissão”, pontuou.

eleazar-de-carvalho-cpi-bndes-02O presidente informou ainda que na próxima terça-feira, no período da manhã,  haverá uma reunião com a fundação Getúlio Vargas para definir a questão da assessoria técnica para a CPI , e no mesmo dia ás 14 horas ocorrerá a oitiva com Ricardo Liáo, Secretário Executivo do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) , logo após essa audiência haverá outra reunião, dessa vez com os técnicos da área jurídica do BNDES, para que eles definam a questão da classificação da documentação que está sendo enviada.

“Muitos parlamentares estão reclamando do alto grau de sigilo nas informações, já fizemos um primeiro contato e o banco reconheceu que houve realmente um excesso na classificação de sigilo e que está revendo isso”, ressaltou.

Também na próxima semana, serão definidas as datas das convocações aprovadas nesta quarta-feira (08.09), pela CPI.

Roberto Brasil