Benefício de manter direitos políticos dado a Dilma pode ajudar Cunha

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Dep. Eduardo Cunha

Dep. Eduardo Cunha

A manutenção das funções públicas de Dilma Rousseff pelo Senado pode refletir na votação do processo de cassação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segundo congressistas.

O peemedebista, que está afastado do mandato, distribuiu uma carta a seus pares nesta semana na qual reivindica protagonismo no impeachment e pede que eles o absolvam na votação marcada para 12 de setembro.

“Todos sabem que sem a minha determinação e sem a minha atuação jamais esse processo teria sido aberto […]. Não é justo que eu pague com o mandato e perca os direitos políticos por ter tido a coragem de conduzir o processo de impeachment do governo e do partido que estavam destruindo o país”, escreveu.

Então presidente da Câmara, Cunha autorizou a tramitação do pedido de impeachment em dezembro, após fracassarem suas negociações com o governo Dilma com o intuito de enterrar seu processo de cassação.

O peemedebista é acusado de ser um dos principais integrantes do esquema de corrupção da Petrobras.

“Como protagonista do processo, tendo praticado o primeiro ato de aceitação da denúncia oferecida por crime de responsabilidade contra a ex-presidente, vejo que todos os meus atos foram confirmados por sucessivas votações, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, atestando a lisura dos meus atos”, disse, em nota.

Nesta quarta, o Senado manteve as funções públicas para a ex-presidente, ao votar esse tema separadamente da perda de mandato.

Para o sucessor de Cunha na Presidência da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o fato tende a gerar um precedente que, como consequência, pode beneficiar Cunha. “Se formos usar a mesma decisão (…), muda-se o processo de cassação de qualquer um.”

O deputado disse que, ao analisar perdas de mandato, os deputados sempre votaram o parecer do Conselho de Ética pelo afastamento do parlamentar de forma unitária. Agora, aliados de Cunha tendem a reivindicar o mesmo tratamento no dia 12.

“Fiquei preocupado porque ele cita muitas vezes o regimento da Câmara”, disse Maia se referindo a Ricardo Lewandowski, que presidiu a sessão que cassou Dilma.

A votação de um projeto que aceitasse emendas já era uma das ideias dos “cunhistas”, mas até então Maia descartava essa possibilidade.

*Com informações FOLHAPRESS

Roberto Brasil