Barco que afundou no Pará estava irregular

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A empresa do barco foi notificada pelos fiscais no dia 05 de junho de 2017, mas nenhum representante compareceu à agência da Arcon para se regularizar (Foto: Reprodução/Internet)

Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon-Pa) comunicou que a embarcação M/B Capitão Ribeiro, pertencente à empresa Almeida e Ribeiro Navegação, LTDA, que naufragou na noite desta terça-feira (22) na Ponta Grande do Xingu, no município de Porto de Moz, não estava legalizada para fazer o transporte de passageiros. O G1 tenta contato com a empresa Almeida e Ribeiro Navegação, mas não foi atendido.

Pelo menos 10 pessoas morreram durante o naufrágio do barco que saiu de Santarém com destino ao porto de Vitória do Xingu, em Altamira, e equipes de resgate estão no local realizando buscas de sobreviventes do acidente desde o início desta quarta-feira. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Pará, 70 pessoas estavam a bordo. Quinze sobreviventes foram resgatados. A lista de passageiros não foi divulgada.

Segundo a Arcon-Pa, o barco não estava registrado na Arcon-Pa, portanto, a agência considera que “a embarcação estava realizado o transporte clandestino de usuários”, conforme divulgado em nota oficial.

Cena dramática mostra o corpo de uma das vítimas (Foto: Reprodução/Internet)

Notificações anteriores

A Arcon-Pa informou ainda que a empresa foi notificada pelos fiscais durante a operação realizada no dia 05 de junho de 2017, mas até o momento nenhum representante da empresa compareceu à agência do órgão para se regularizar.

A diretoria de Arcon-Pa aproveitou, ainda, para reforçar o alerta aos usuários do transporte hidroviário no Estado do Pará, para que não utilizem dos serviços de transporte clandestino.

Transporte problemático

Segundo o engenheiro naval da Universidade Federal do Pará Pedro Lameira, o transporte em embarcações na Amazônia é problemático do ponto de vista da segurança, pois a maioria dessas embarcações, em madeira, não está preparada para situações de alagamento rápido.

Corpos de vítimas do naufrágio (Foto: Reprodução/Internet)

“Esse problema é antigo na Amazônia e os órgãos competentes precisam fazer alguma coisa para mudar essa realidade”, diz o professor. Segundo ele, existem soluções de engenharia para esse caso e o poder público poderia determinar regras a serem seguidas pelas embarcações.

Além da estabilidade, há a questão do carregamento, explica Pedro Lameira. “O excesso de carregamento, seja de passageiros ou cargas, compromete a estabilidade do barco”, diz. “Muitas vezes, o dono da embarcação navega com superlotação e é inevitável uma embarcação virar”, explica.

Ainda segundo o professor, a área onde a embarcação naufragou possui correntes fortes e, se um barco naufraga muito rápido, é difícil as pessoas se salvarem. “Não tem tempo nem de colocar o colete”, diz.

G1

Roberto Brasil