Avião russo é abatido e cai na Síria

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Rússia garante que o Su-24 permaneceu "o tempo todo sobre o território da Síria"

Rússia garante que o Su-24 permaneceu “o tempo todo sobre o território da Síria”

A derrubada de um caça-bombardeiro russo por forças turcas, o primeiro evento do tipo ocorrido entre um país da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e o antigo adversário da Guerra Fria, mostra o quão perigosa é a escalada do conflito sírio para a paz mundial.

Desde que os russos estabeleceram seu próprio espaço aéreo para apoiar o Exército do ditador Bashar al-Assad, um dos principais temores era o de um enfrentamento acidental entre Moscou e as forças ocidentais que operam na área.

Com EUA e países europeus, a coordenação parecia estar dando certo.

Mas como a derrubada de um drone e a interceptação anterior de aviões russos mostraram, era a fronteira turca o ponto mais sensível, visto que Ancara tem seus próprios desafios de política interna e o governo de Recep Erdogan tem a necessidade contínua de afirmar sua autoridade.

Além disso, o risco era evidente, já que os russos vinham testando até onde poderiam ir.

Ainda será necessário estabelecer se os turcos cumpriram todas as normas de interceptação, que preveem etapas antes de derrubar um avião.

Os russos vão certamente dizer que operavam em espaço aéreo sírio, e fronteiras no ar são naturalmente tênues.

A crise não favorece a Turquia, já que este é um momento em que parte do Ocidente —notadamente a França sob o impacto dos ataques do Estado islâmico busca uma maior cooperação com Moscou na Síria.

Se ficar provada alguma atitude agressiva por parte do jato russo, contudo, a solidariedade imposta pela Carta da Otan obrigará uma posição unida de seus países-membros.

Ninguém espera ou deseja uma escalada militar, exceto talvez seitas que cultuem o Apocalipse, mas o incidente demonstra a volatilidade que envolve a guerra no país árabe. FOLHAPRESS

Roberto Brasil