Aumento da energia elétrica volta a ser criticado pelos vereadores na Câmara

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Ver. Mário Frota

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O reajuste de quase 40% nas contas de energia elétrica dos consumidores amazonenses é motivo de indignação entre os vereadores do Poder Legislativo Municipal, sendo um dos tema do Grande Expediente nesta quarta-feira (4). Mário Frota (PSDB) levantou a discussão ao ir à tribuna da Câmara Municipal de Manaus (CMM) em mais um protesto contra o reajuste para o Amazonas — considerado abusivo.

O vereador criticou o Governo Federal e o ministro das Minas e Energias, senador Eduardo Braga (PMDB), pelo aumento abusivo e pela crise econômica e da energia elétrica, que ele diz ser real. “O aumento da energia é um tsunami que está atingindo a todos”, disse ele.

Para Joelson Silva (PHS) o aumento abusivo da energia elétrica se tornou assunto obrigatório em todos os lugares. “Foi algo tão absurdo que teve repercussão nacional, principalmente no Estado. É uma situação tão grave, que nos deixou estarrecidos e virou tema de debate em todos os lugares”, disse o vereador, assegurou que a Casa Legislativa Municipal não está alheia à situação, tanto que o vereador Álvaro Campelo (PP), provocou a discussão na Câmara, por meio da Comissão de Defesa do Consumidor, e está tomando as providências, contestando o reajuste na Justiça.

O vereador Arlindo Junior (PSD) diz que, infelizmente, os vereadores, individualmente, não podem fazer muita coisa, mas por meio da Comissão já tomou providências das medidas legais cabíveis. “Espero que depois dessa alta de 40% não venha um Salvador da Pátria dizendo que o preço da energia elétrica vai baixar”, afirmou, para destacar, em seguida, que é um aumento imoral. “O povo atingido não consegue ver com outros olhos, com olhos de normalidade. Imagine uma empresa, com funcionários, que vai ter reajuste de 42% no preço da energia elétrica, vai ter que cortar o número de empregados”, completou.

Arlindo Júnior ressaltou também que não é só a energia que sobe, mas a gasolina também, que, segundo ele, vai passar para R$ 4,05. “E quando aumenta a gasolina, aumenta tudo. Vamos pagar a gasolina a R$ 5,00”, assegurou.

Roberto Sabino (PROS) diz que não aceita esse absurdo. “Não aceitamos e repudio esse aumento. Não podemos nos calar. Somos representantes de uma cidade com mais de dois milhões de habitantes. O Amazonas não tem sorte, já tivemos um ministro (Alfredo Nascimento) que não conseguiu a BR-319, e agora um ministro das Minas e Energias (Eduardo Braga), que dá um aumento de quase 40% na tarifa de energia”, disse.

Professor Samuel (PHS) destacou que a Casa não pode ficar alheia a essa atitude que sangra o orçamento do povo da cidade e do Amazonas. “Primeiro deram um desconto na tarifa que alimentou um tratamento diferenciado para o Amazonas, mas o que vimos em seguida povo, já maltratado pelo isolamento em relação ao resto do País, ser alvo de reajustes de quase 40% (doméstico) e 42% (indústria) na tarifa de energia elétrica. “Acho que estamos querendo ser uma Venezuela do futuro, onde o povo vive em uma situação crítica. A população amazonense não pode sofrer mais esse golpe”, assegurou o vereador, que criticou o ministro Eduardo Braga. “Ao invés de ajudar, sangra ainda mais as famílias amazonenses”, assegurou.

Jairo da Vical (PROS) assegurou que a população já fala desse tema revoltada. Segundo ele, a cidade vem sofrendo com vários apagões e agora, mais ainda, com o aumento da energia, concordando com o vereador Mário Frota, que classificou o aumento como um “presente de grego”, pois vai trazer um efeito cascata com o reajuste em vários outros setores da economia.

O vereador ressaltou o pronunciamento do senador Omar Aziz (PSD), contra o reajuste. “O povo não aguenta mais. A população não precisa ser tratada de maneira discriminatória, precisa ser tratada com respeito. Tenho certeza que outros representantes de Câmara Federal também vão dizer não a esse reajuste”, disse, acrescentando que o povo da cidade está indignado com o aumento.

Ação na Justiça

Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara (COMDEC), o vereador Álvaro Campelo afirmou que o reajuste da energia elétrica, em 13 meses, chega a 61,5%. O vereador reforçou a luta travada contra a bandeira  tarifaria de 5,6%, que foi barrada na Justiça Federal e está suspensa, para ressaltar a ação que os nove órgãos de Defesa do Consumidor dão entrada na Justiça contra o reajuste de energia de quase 40%, que começou a vigorar desde o dia 1º de novembro.

A peça, com mais de 60 laudas, contém informações sobre o que está acontecendo no Estado e faz a contestação do reajuste. “Espero que a Justiça Federal tenha o mesmo comportamento dispensado com a Ação contra a bandeira tarifária”, disse ele, explicando que a peça fala que os órgãos não são contra aumento, pois entendemos que eles devem acontecer, mas com modicidade. “Não com esse aumento beirando a casa dos 40% e 42%. Nenhum empresário vai absorver esse reajuste sem repassar. O consumidor além do aumento de 40% vai ter que arcar com os demais reajustes provenientes desse aumento. Isso vai virar uma bola de neve”.

Para o vereador Elias Emanuel (PSDB), existem pais de família caminhoneiros que estão há 15 dias sem demanda, fruto dessa crise econômica. “A população estão sentindo os efeitos”, disse, assegurando que o reajuste da tarifa é uma vingança irracional do Governo Federal pela derrota na Justiça pela não cobrança da bandeira tarifária. “Descarrego indignação quando um representante nosso Estado é signatário desse aumento. Lamento”, afirmou.

Pastora Luciana (PP) também falou sobre o tema, considerando o reajuste de quase 40% abusivo. Segundo ela, os pais de família terão que fazer malabarismo para pagar as contas, devido ao impacto que esse reajuste vai provocar no comércio e na indústria. “O desemprego aumentará penalizando ainda mais a cidade e o Estado, com essa irresponsabilidade do Governo Federal”, disse.

Roberto Brasil