AS ALIANÇAS POLÍTICAS PARA PREFEITURA DE MANAUS

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Ademir-RamosA política é um campo de força a disputar o poder em suas diversas frentes. Este movimento está presente nas ralações familiares, empresariais, organizações sociais e, principalmente, nos partidos políticos centrados em determinadas lideranças visando controle e domínio dos aparelhos de Estado. Eis a razão de se afirmar categoricamente que todos (as) somos uns animais políticos porque vivemos neste campo das relações de poder às vezes como massa de manobra, manipulados pelos poderes em disputa outras vezes à frente das lutas sociais como protagonista de determinada situação em defesa das políticas públicas e do bem comum. Nas eleições estas manifestações tornam-se mais recorrentes por se tratar de um tempo forte da cidadania movido pela vontade popular. Nesta hora comprova-se também que quanto maior a desigualdade social entre nós caracterizada pela extrema pobreza, exclusão social, desemprego e falta de informação maior será a possibilidade de sermos manipulados por estes políticos profissionais que fazem da miséria social trampolim para suas eleições. Em síntese, nossa capacidade de discernimento – ver, julgar e agir – depende, sobretudo, das condições materiais que temos. Significa dizer que quem sofre privações dificilmente terá a liberdade de optar ou escolher porque é prisioneiro da necessidade e nestas circunstância o que vier é lucro. Do mesmo modo agem também os bacanas que optam por determinadas candidaturas para permanecer no bem bom ou para assegurar interesses privados afrontando o bem público. E então nos perguntamos: Como avaliar os candidatos e suas alianças. Certamente não será baseado em princípios religiosos ou ideológicos, mas, sobretudo, pelas ações operacionais referentes à realização de políticas públicas em atenção a estas demandas sociais que em tempo de crise se tornam ainda mais gritantes como um verdadeiro toma lá da cá, com certas exceções.

CÍRCULO VICIOSO: Eis a razão de afirmar que o povo tem o político que merece. Este círculo vicioso alimenta-se da corrupção e da extrema pobreza em que a gente se encontra, tornando-se presa fácil para os políticos que promovem suas candidaturas a partir das necessidades imediatas de nosso povo. Nesta conjuntura tanto o candidato quanto o eleitor orientam-se pelo realismo político definindo os meios mais eficazes para captação do voto. O eleitor por sua vez busca extrair do candidato algum recurso que satisfaça seus apetites e neste jogo de gato e rato ambos recorrem à trama da corrupção com propósito de satisfazer seus desejos afrontando desta feita os interesses públicos e os valores republicanos. Nesta situação de perversa desigualdade social que nos encontramos, as eleições representam para estes eleitores uma oportunidade de negócio. Neste contexto, candidato liso não terá vez e nem voto. Sabe-se também que o mercado eleitoral não contará formalmente com investimentos de empresa privada, assim sendo, o candidato terá que dispor dos seus próprios recursos de acordo com a lei, bem como da ajuda limitada do fundo partidário e se quiser mais dinheiro para campanha terá que convencer seus apoiadores – pessoas físicas – a contribuírem para sua candidatura o que requer habilidade, determinação e tempo hábil para investir nas eleições em curso. Com a mesma determinação resta também tentar sacar dinheiro do candidato majoritário à medida do possível. O quadro não favorece aos catecúmenos da política, beneficia diretamente aqueles candidatos que já tem inserção junto à sociedade, contam com a benção do chefe do partido ou com o aval sorrateiro da máquina do poder executivo, o que deve ser feito de forma velada para não afrontar a regra do jogo.

MENOS IDEOLOGIA E MAIS ESTRATÉGIA: O fato é que a política em vez de ser um farol para liberdade a impulsionar as pessoas a lutarem por seus direitos com autonomia e determinação, redimensionando o Estado para realização de projetos comuns criando condições objetivas para o desenvolvimento quanto à melhoria de políticas públicas seguido da implementação de políticas econômicas distributivas incentivadoras de novos postos de trabalho, emprego e renda, geradora de novas oportunidade de negócio para o comércio e demais segmentos produtivos no campo e na cidade. No Brasil, a política se transformou num brejo da corrupção reduzida aos interesses de organização criminosa a reunir em sua aba partidos políticos de apoio ao governo petista e seus comanditas. A corrupção estruturante perpetrada pelo PT e sua camarilha não só desqualificou os próceres de seus partidos como também maculou todo poder legislativo jogando os políticos na vala comum da corrupção, provocando o descrédito da instituição e a desmoralização dos partidos junto à sociedade. A crise política instalada na República provocou retração na economia política nacional acelerando mais ainda a desigualdade social com graves danos também para o presente e futuro da economia política dos mais de 5 mil Municípios formador de nossa Federação. Nestas condições fica claro que a autodeterminação dos Municípios e dos Estados é relativa aos ditames centralizador da União, que não só arrecada tributos, mas, tem o poder também de contingenciar recursos, inviabilizando o desenvolvimento dos entes federados, em particular dos Municípios que são considerados o “primo pobre da república” por depender estruturalmente da União e dos Estados quanto aos repasses constitucionais. Vitima do pesadelo petista, o prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto (PSDB) resolveu então optar pelo realismo político realinhando as suas ações a lógica da política nacional tendo como matriz o PMDB do presidente Michel Temer, o que diretamente resulta na redefinição de estratégia local com aval da direção nacional do PSDB aliançada com o PMDB numa perspectiva sucessória para 2018. Certamente que a opção do prefeito Arthur Neto é bastante instigante para a política local porque parte do pressuposto que para vencer a crise é necessário que o candidato tenha respaldo nacional rompendo com o raio de ação paroquial de algumas lideranças que comparativamente se identifica na política ainda com o Pato, que depois de botar o ovo silencia e de forma introspectiva fecha-se em copa comportando-se mais como um místico medieval do que um líder nacional com direção moral e política capaz de tomar a frente do Estado, encarnando, desta feita, a vontade do seu povo.

E O QUE DIZ O POVO: Na política as determinações dos líderes podem ser seguidas ou não. É exatamente isto que se quer avaliar nesta jogada política que o prefeito Arthur Neto (PSDB) fez em escolher Marcos Rotta, do PMDB de Eduardo Braga e de Michel Temer, para ser o Vice em sua chapa. Vamos analisar qual será o comportamento do eleitor de Manaus se vai compreender este ato como um pacto nacional ou vai se conformar em pensar o gesto como um acordo de conveniência no estilo Gilberto, Amazonino e de tabela Eduardo Braga para perpetuação da Oligarquia dos Igarapés no poder de Estado. O fato nesta circunstância não se reduz somente ao presente 2016, mas, é importante que o eleitor cidadão tenha clareza que a mexida do tabuleiro político feita por Artur Neto representa um tsunami na política com alcance para as eleições de 2018. Contudo, sabe-se também que a política não é como gostaríamos que fosse. Mas, determinada pelo enredo histórico dos seus atores. Enfim, o presente é fato o futuro quem sabe, talvez, a história dirá.

Roberto Brasil