Arthur Virgílio e Mangabeira discutem estratégias para enfrentar a crise

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O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, recebeu, nesta segunda-feira, 4, o ministro Roberto Mangabeira Unger, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Na mesa de discussões foi colocada a necessidade de planejar o Brasil a partir de um modelo federalista cooperativo, onde cada região utilize suas particularidades como vantagens que possam ajudar no desenvolvimento nacional.

Durante o encontro, realizado no Centro Cultural Palácio Rio Branco,que reuniu secretários do município o do Governo Federal, o prefeito também expôs as principais medidas da capital para enfrentar a crise econômica. “Concordamos em um ponto: que teremos dois anos de muito sofrimento econômico pela frente, o que nos obriga a cortar gastos, preservar o máximo possível de empregos e defender a capacidade de investimento do Município”, disse o prefeito.

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Arthur Neto elogiou a iniciativa de retomar o diálogo estratégico com as diferentes esferas do Poder Executivo, a fim de encontrar mecanismos efetivos de superação política e econômica. “No meio desse tiroteio de desvios éticos e da crise econômica o desafio é conseguir chamara atenção do país para o debate estratégico. Então, mesmo defendendo posições com as quais eu nem sempre concordo, eu respeito a figura de enorme intelectualidade que é o ministro Mangabeira”, pontuou.

Segundoo secretário chefe de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o país começa a repensar o seu modelo de desenvolvimento, que será construído a partir de uma nova estratégia nacional voltada para produção e para a oferta e não apenas da relação entre demanda/consumo. “Isso só poderá se efetivar se passarmos a enxergar a realidade das grandes regiões, retomando a política regional de desenvolvimento”, defendeu Mangabeira.

O ministro disse ainda que entende que a solução para muitos problemas brasileiros passa pela construção de um federalismo cooperativo, que se firma em três elementos: avaliação, distribuição de riquezas e procedimentos que recuperem a qualidade da educação.

 

Reformulação da Zona Franca

Quanto ao modelo econômico do Estado, que sobrevive principalmente dos incentivos fiscais concedidos à Zona Franca de Manaus (ZFM), Roberto Mangabeira afirmou que o modelo pode ser considerado um vanguardismo na Amazônia, mas precisa se fortalecer.

“Eu entendo que a Amazônia pode ser uma vanguarda do novo projeto produtivista do país e é por isso que estou aqui. A Zona Franca de Manaus pode ter a vocação de um novo vanguardismo na Amazônia, que reúna empresas de ponta, consciência e tecnologia, não apenas dependendo das multinacionais”, defendeu.

Para o prefeito a Zona Franca deve se voltar para o aproveitamento da biodiversidade. “Sempre insisti na ideia que o verdadeiro crescimento do Brasil passa pela Amazônia e pelo nosso imenso potencial biotecnológico. Por outro lado, não podemos nos esquecer das necessidades atuais do nosso modelo econômico e que para se consolidar precisa de investimentos em infraestrutura, inovação tecnológica e mão de obra qualificada”, concluiu.

Mario Dantas