Artesanato, música e comida típica indígenas estão na programação da 39ª Expoagro

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Com show da cantora Djuena Tikuna, muito artesanato e o suco de açaí como uma das principais novidades, a participação indígena na 39ª. Exposição Agropecuária do Amazonas (Expoagro) começou neste sábado (24), durante a abertura do evento, no Parque de Exposições Eurípedes Lins em Manaus. Mais do que marcar presença na feira, os indígenas lutam para ter o trabalho reconhecido junto à sociedade e, nesse sentido, já iniciaram uma mobilização para adquirir um espaço permanente onde possam expor seus produtos, culinária e arte em geral.

De acordo com o titular da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), Bonifácio José Baniwa, a proposta será apresentada pelas próprias organizações que participam da Expoagro (em torno de 20) durante a última reunião do ano do Comitê de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai), que ocorre no dia 11 de dezembro, na capital amazonense. “Eles agradeceram a oportunidade de participar mais uma vez da feira, mas entendem que precisam de mais apoio, desse espaço que possa servir de referência para eles aqui em Manaus e, por isso, vamos acatar a proposta por meio dos nossos técnicos e levá-las ao nosso governador”, informou Bonifácio, que também acompanhou a abertura oficial da Expoagro/2012, feita pelo secretário da Sepror, Eron Bezerra.

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A 39ª. Expoagro é uma realização do Governo do Amazonas, por meio da Sepror e parceiros, e prossegue até o dia 2 de novembro. A participação indígena tem à frente a Coordenação de Promoção Cultural, Esporte e Lazer da Seind, cuja ação de apoio faz parte do plano de trabalho da câmara técnica “Promoção dos Direitos Socioculturais dos Povos Indígenas”, do Comitê Gestor.

O objetivo é trabalhar a inclusão social, geração de renda, valorização do patrimônio cultural material e imaterial indígena e o intercâmbio cultural com a sociedade.

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Show e açaí – Já conhecida do público, Djuena Tikuna interpretou músicas indígenas e conseguiu atrair a simpatia dos visitantes na área conhecida como seringal. Enquanto ela cantava, pessoas como o motorista James Coutinho provava o suco de açaí. O produto foi trazido de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus) pela Associação das Mulheres Indígenas Sateré-Mawé (Amism), e acabou se transformando numa das grandes sensações da primeira noite. O açaí puro, recheado com tapioca e leite moça foi apresentado ao público pela primeira vez na área indígena da feira. “O suco é grosso, forte, muito bom mesmo”, comentou James.  “Começamos a vender às quatro da tarde e até agora (19h30) já vendemos seis litros”, comemorou a vendedora Juce Souza Sateré.

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Artesanato e remédio – Para garantir a venda de artesanato, comidas típicas e até remédios, figuras como Corum Bené Sateré, de 63 anos, distribuem simpatias no contato com o público. Na barraca dele tem de tudo, desde a folha de catuaba a produtos afrodisíacos, que também fazem parte da tradição indígena e são trazidos da aldeia de Ponta Alegre, no município de Maués (a 267 quilômetros de Manaus). “Aqui temos tudo para levantar a moral”, brincou o cacique.

E quem gostou da variedade foi o funcionário público Teixeira Souza, que esteve em 2011 no local e retornou para conferir as novidades. “Eu tenho uma fazenda no rio Negro e vim à Expoagro para comprar um cavalo no ano passado, quando passei aqui e levei também alguns produtos”, lembrou. “Agora estou comprando este Leite de Amapá e pomada para dor nos ossos”, acrescentou.

Além dos produtos medicinais, as organizações indígenas comercializam na Expoagro o guaraná em pó, tacacá, churrasco, brincos, colares, porta-joias, alianças, canetas, entre outros objetos trabalhados de forma artesanal pelos próprios indígenas.

Organizações – Além da Amism, participam da feira em 2012 a Coordenação das Organizações e Comunidades Indígenas do Amazonas (Coipam), Associação Poterikaã-Numia (APN/Manaus), União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (Umiab), Associação Comunitária Wotchimaücü (ACW) e a Organização de Mulheres Indígenas Sateré-Mawé de Manaus (Omism/Watyamã).

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Redação