Arquidiocese de Manaus se solidariza às famílias indígenas que serão despejadas no Tarumã

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300 famílias indígenas, de 12 povos distintos serão despejados

300 famílias indígenas, de 12 povos distintos serão despejados

Da Redação – Em solidariedade e apoio à luta das famílias indígenas que se encontram na iminência de serem despejadas do Parque das Nações Indígenas, localizado no bairro Tarumã – Manaus, a Arquidiocese de Manaus emitiu nota sobre o assunto. A seguir a integra do documento.

“Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele” (1Cor 12,26).

A Arquidiocese de Manaus manifesta sua solidariedade e seu total apoio à luta das famílias indígenas pelo direito à terra e à moradia, que se encontram na iminência de serem despejadas do Parque das Nações Indígenas, no bairro Tarumã, Manaus. A decisão de reintegração de posse expedida pela Justiça Federal, sem considerar as especificidades étnicas e culturais das numerosas famílias que lá residem e, tão pouco, oferecer alternativa de terra e moradia para as mesmas, atenta contra a vida e a dignidade humana. É também inaceitável a determinação do corte da energia elétrica.

Trata-se de aproximadamente 1.300 pessoas de 300 famílias indígenas, de 12 povos distintos (MIRANHA – KOKAMA – BARÉ – MURA – MUNDURUKU – TIKUNA – APURINÃ – PIRATAPUYA – ARARA – TUKANO – KAMBEBA – SATERÉ MAWÉ), que ocupam o terreno desde o dia 18 de abril de 2011. Já faz, portanto, quatro anos, que estas famílias deslocadas do interior para a cidade, buscam com enormes sacrifícios, reorganizar a sua vida nesta terra, da qual outrora foram banidos e/ou exterminados os povos Manaó e Tarumã.

O poder público, através das três esferas União, Estado e Município, tem o dever irrenunciável do diálogo aberto, franco, verdadeiro, na busca de soluções que devolvam aos indígenas o direito a moradia que lhes é devido, um direito de todos os cidadãos.
Expressamos também todo nosso apoio ao trabalho do Ministério Público Federal (MPF) e as Defensorias Públicas da União (DPU) e do Estado (DPE) unidos para assegurar os direitos das famílias indígenas, questionando no âmbito do processo judicial, as dúvidas que pairam sobre o domínio daquela terra e a dimensão social que precisa ser considerada na reintegração de posses coletivas, como prevê o Manual da Ouvidoria Agrária Nacional.

A Arquidiocese de Manaus, através de sua Pastoral Indigenista continuará acompanhando e apoiando solidariamente as iniciativas das famílias indígenas e de suas organizações do Parque das Nações Indígenas e de outros assentamentos ameaçados por reintegrações de posse na cidade, em busca de alternativas, para assegurar o acesso a terra e a condições dignas de moradia.
Acolhemos em nossa oração os sofrimentos e dores desses irmãos e irmãs indígenas, certos da consolação e da compaixão do Deus da Vida, que defende a dignidade, a liberdade, a paz e a reconciliação entre todos os povos.

“Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo” (Papa Francisco, MV 15).

Que Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da Ameríndia, como Mãe, interceda junto a seu Filho, proteja, anime e fortaleça esses irmãos e irmãs indígenas.

Manaus, 8 de maio de 2015

Dom Sergio Eduardo Castriani
Arcebispo Metropolitano de Manaus

Roberto Brasil