Antena perto de sítio foi um ‘presente’ da Oi para Lula

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antena-oi-sitio-lulaAmigo do ex-­presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-­sindicalista José Zunga Alves de Lima foi o responsável por conseguir a instalação, em 2010, de uma antena de celular da Oi próxima ao sítio frequentado pelo petista e sua família em Atibaia, no interior de São Paulo.

Segundo a Folha apurou junto a pessoas que acompanharam a operação, Zunga, funcionário da Oi, fez gestões internas na empresa para que a antena fosse colocada como um “presente” para o petista.

Na Oi, o pedido foi conduzido pelo então diretor João de Deus Pinheiro Macedo e teve aval de Otávio Marques de Azevedo, presidente da AG Telecom, uma das controladoras da Oi e parte do grupo Andrade Gutierrez.

A Andrade é acusada de participar do esquema de corrupção na Petrobras investigado na Operação Lava Jato. Azevedo, principal executivo do grupo, ficou preso por quase oito meses e é réu sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. As acusações não envolvem a Oi. A instalação da torre próxima ao sítio pela Oi foi revelada nesta semana pelo jornal “Valor Econômico”.

Para construir a antena, a operadora –que tem o BNDES e fundos de pensão estatais como sócios– precisou alugar um terreno a cerca de 100 metros da entrada da propriedade rural frequentada pelo presidente. Cálculos de engenheiros de telecomunicações indicam que a obra custou cerca de R$ 1 milhão entre equipamentos, licenças e taxas.

A antena da Oi é mais um indício, difundido por testemunhas ouvidas pela Folha e depoimentos colhidos pelo Ministério Público de São Paulo, de que uma espécie de consórcio informal de empresas dirigidas por amigos do expresidente bancou obras e melhorias no sítio.

Pelo menos três empresas teriam participado das reformas: a Usina São Fernando, do pecuarista e amigo do ex­presidente José Carlos Bumlai, além de Odebrecht e OAS.

As três são investigadas pela Lava Jato, que passou a apurar o uso do sítio por Lula. Os trabalhos na propriedade foram iniciados em outubro de 2010, quando o petista ainda estava na Presidência.

Segundo a Anatel, a antena está equipada com tecnologias 2G e 3G, que permite chamadas de voz e acesso à internet. Só as estações da Oi espalhadas pela área urbana de Atibaia têm a mesma especificação. Nenhuma concorrente –Vivo, TIM, Claro e Nextel– cobre a zona rural da cidade.

Por lei, as operadoras são obrigadas a instalar antenas para garantir que pelo menos 80% da área do município tenha acesso aos sinais. Caso contrário, são multadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Naquele momento, a legislação do setor não obrigava as teles a garantir cobertura na área rural.

Mesmo assim, muitas delas acabaram instalando estações em estradas e até em vilas ou distritos desde que existisse “apelo comercial”.

Ainda segundo as empresas, os pedidos de políticos e empresários sempre foram frequentes. Mas raramente elas costumam atendê­los devido aos custos envolvidos.

Sob a condição de anonimato, engenheiros de telecomunicações que conhecem o local afirmam que, pela geografia da área e o mapa das antenas das outras operadoras, o equipamento foi instalado só para atender o sítio.

Ainda segundo as empresas, os pedidos de políticos e empresários sempre foram frequentes. Mas raramente elas costumam atendê­los devido aos custos envolvidos. Sob a condição de anonimato, engenheiros de telecomunicações que conhecem o local afirmam que, pela geografia da área e o mapa das antenas das outras operadoras, o equipamento foi instalado só para atender o sítio.

Em geral, uma antena costuma ser posicionada em pontos elevados para espalhar seus sinais em ondas num raio entre 30 km e 50 km.

Mas esse alcance depende de vários fatores. Em áreas montanhosas, esse alcance é muito menor. E pode ficar ainda mais restrito se a antena estiver em áreas rebaixadas, como o local do sítio. Moradores em casas a cerca de 500 m da antena dizem que não conseguem sinal

*Estadão Conteúdo

Roberto Brasil