Anistia Internacional denuncia ‘prisões arbitrárias descontroladas’ no governo Maduro

By -

Confrontos em Caracas: 26 mortos em um mês – FEDERICO PARRA / AFP

O aprofundamento da repressão a opositores na Venezuela preocupa organizações globais como a Anistia Internacional (AI), que nesta quarta-feira divulgou relatório sobre prisões arbitrárias por motivos políticos no país. No dia anterior, a procuradora-geral da República venezuelana, Ortega Diaz, questionou publicamente — pela segunda vez em menos de um mês — as ações do governo Nicolás Maduro. Num pronunciamento que era muito esperado pela Mesa de Unidade Democrática (MUD), a procuradora pediu “segurança jurídica” no país, denunciou irregularidades em algumas detenções e confirmou que este mês já morreram 26 pessoas, 437 foram feridas e 1.289 detidas (de acordo com a ONG Foro Penal foram 1.426).

Intitulado “Silêncio através de força: detenções arbitrárias por motivos políticos na Venezuela”, o relatório da Anistia Internacional acusa as autoridades venezuelanas de estarem “usando o sistema de Justiça ilegalmente para aumentar a perseguição e a punição contra aqueles que pensam diferente”. A AI detalha casos específicos de prisões arbitrárias, como a do deputado opositor Gilbert Caro.

A lista de detenções incluem ações “sem mandado por parte do Sebin, processos judiciais contra ativistas pacíficos por crimes ‘contra o país’ e a imposição de campanhas de mídia difamatórias para detenção injustificadas preventivas contra membros da oposição, entre outras medidas”.

— Observamos um uso descontrolado das detenções arbitrárias contra dirigentes políticos, mas também estudantes e civis em geral. Nos preocupa a utilização do Sebin, que não tem a faculdade de prender e custodiar presos — disse Erika Guevara-Rosas, diretora para as Américas da AI.

Para ela, “outro dos elementos da repressão que mais nos preocupa é o julgamento de civis em tribunais militares”.

— Opositores são acusados de delitos como traição à Pátria e conspiração, sem provas, e levados a tribunais militares, o que os deixa numa situação de extrema vulnerabilidade _ questionou Guevara-Rosas.

(DA AGÊNCIA O GLOBO)

Roberto Brasil