ANÁLISE: Se faltava um tribunal superior de Justiça desacreditado, não falta mais

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Temos um governo desacreditado que sucedeu a outro desacreditado. Temos um Congresso desacreditado como o anterior era, e como o próximo será à falta de novas regras eleitorais. Faltava um tribunal superior de Justiça desacreditado, uma vez que as instâncias inferiores já não merecem muita fé. Não falta mais.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está mais para um almoxarifado de homens, ideias e urnas eletrônicas do que para uma Corte empenhada de fato em fazer justiça.

Em dezembro de 2014, o PSDB entrou com quatro ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a impugnação da chapa Dilma-Temer reeleita para governar por mais quatro anos.

Se tivesse dependido do primeiro relator, as ações teriam sido arquivadas. Mas o ministro Gilmar Mendes não deixou. Defendeu uma investigação rigorosa que poderia resultar na queda da então presidente Dilma.

Foi o que fez o novo relator das ações, ministro Herman Benjamim. Para quê? Para nada, como se viu nesta sexta-feira. Com Dilma fora, a maioria dos sete ministros do TSE, liderada por Gilmar, votou pelo “Fica, Temer”.

Antes, um ministro amigo do governo pedira vista do processo, dando tempo assim para que dois colegas, supostamente favoráveis à impugnação da chapa, fossem substituídos por outros mais confiáveis.

Então no país da jabuticaba, tida como uma fruta nativa, o que jamais foi, inventou-se a investigação para não punir ninguém. A investigação pelo simples prazer de investigar. A investigação por pura curiosidade. Foi o primeiro julgamento onde possíveis criminosos acabaram absolvidos por excesso de provas.

É de chorar? Não é. É de indignar-se com a mais escandalosa prova de subordinação da Justiça a interesses que deveriam ter sido simplesmente ignorados.

Os dias que correm têm sido assim.

(Com Ricardo Noblat/AGÊNCIA O GLOBO)

Roberto Brasil