Amazonino e David em guerra anunciada

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O embate deflagrado entre o governador eleito Amazonino Mendes (PDT) e o governador em exercício David Almeida (PSD), um dia após o resultado da eleição suplementar, é o prenúncio de um clima bélico entre os poderes Executivo e Legislativo nos próximos meses. Quando passar a chefia do governo a Amazonino, David Almeida voltará ao comando da Assembleia Legislativa do Estado (ALE/AM), onde mantém um grupo fiel. A guerra está anunciada.

Em sua primeira ação como governador eleito, Amazonino Mendes foi ao encontro dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE/AM) revelar preocupação com os gastos de David Almeida, “incompatíveis com a interinidade”, segundo ele.

De acordo com o pedetista, David fez “pagamentos voluntários inapropriados”. “Ele é um governador circunstancial. Não poderia promover ações de repercussão de longo prazo”, disse, pedindo que o TCE suste os gastos.

Antes mesmo da  manifestação do governador eleito, o Ministério Público de Contas (MPCE) já havia se espantado com os gastos do gestor interino e preparou ação para requerer ao TCE um “bloqueio” nas contas do governo, nos moldes de como ocorreu com José Melo. O pedido para as “medidas restritivas” já está nas mãos do presidente do tribunal, Ari Moutinho. A decisão pode sair hoje.

Conforme apurou o SIM&NÃO, em pouco mais de quatro  meses de interinidade,  as ordens bancárias da gestão David Almeida somaram R$ 3,8 bilhões. Aos técnicos do MPC, saltam aos olhos alguns gastos, como o feito pela Seduc no dia 25 de agosto: R$ 2,7 milhões, sendo 90% destinado a “serviços de engenharia”.

David Almeida informou que vai hoje ao TCE/AM deixar às claras todos os gastos da sua gestão. Ele garantiu  que o novo governo não vai encontrar problemas com as contas do Estado e disse que só para investimentos em infraestrutura a próxima gestão terá R$ 415 milhões.

Sobre as declarações de Amazonino, o governador interino disparou e disse que a fala do pedetista teria um propósito: decretar “emergência” para dispensar licitações. “Acordem”, provocou.

No retorno a Manaus, após visita ao presidente Michel Temer, Amazonino Mendes deve reservar tempo para a montagem do seu secretariado. Alfredo Paes e Francisco Deoadato são cotados para a Sefaz e Susam, respectivamente. Sidney Leite deve assumir a secretaria de Governo.

SIM&NÃO/Portal A Crítica

Roberto Brasil