Amazonas precisa se preocupar com recuperação de áreas degradadas nas cidades

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“O Amazonas ainda possui um percentual grande de cobertura vegetal", afirmou Balensiefer

“O Amazonas ainda possui um percentual grande de cobertura vegetal”, afirmou Balensiefer

No mês em que se comemora mundialmente o meio ambiente, o presidente da Sociedade Brasileira de Recuperação de Áreas Degradadas (Sobrade), Maurício Balensiefer, faz um alerta às autoridades do Amazonas e à sociedade, para que preocupem com a recuperação das áreas que foram degradadas nas cidades, sob pena de piorarem a qualidade de vida da população nas próximas décadas.

 

Balensiefer, que está em Manaus ministrando um curso sobre a Recuperação de Áreas Degradadas no Brasil, na sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM), Centro de Manaus, explica que a degradação, no País, vem ocorrendo 16 vezes mais rápido que a recuperação, resultando na perda da qualidade de vida das pessoas que vivem não apenas na microrregião onde há área degradada, mas se reflete em toda uma cidade. “A retirada da cobertura vegetal e outras movimentações afetam a quantidade e qualidade das águas; prejudicam a fauna, que tem um papel importante na manutenção do equilíbrio natural; dentre outros reflexos, pois tudo está interligado. De maneira geral, os recursos de água e o solo são os mais agredidos e as consequências atingem todas as pessoas”, acrescenta.

No Amazonas, de acordo com Maurício Balensiefer, que é engenheiro florestal, conselheiro do CREA-PR e também atua na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a situação é razoavelmente boa quando comparado a outros Estados, que têm uma atividade agrícola forte e expansão urbana vigorosa. “O Amazonas ainda possui um percentual grande de cobertura vegetal; outras regiões estão mais degradadas, sobretudo o Sul e Sudeste do Brasil”, afirma. “A preocupação das autoridades amazonenses e da população deve se dirigir para o perímetro urbano”, completa.

Na opinião do especialista, as cidades representam o maior desafio para os técnicos, pesquisadores e profissionais que desenvolvem projetos de recuperação de áreas degradadas. “O perímetro urbano é um dos mais difíceis de recuperar porque, via de regra, são áreas ocupadas até a margem dos rios, além do fato que também são as mais alteradas, quantitativo e qualitativamente; a ocupação humana de maneira indiscriminada degrada muito e envolve extensas áreas, nascentes, mata ciliar, cursos d’água e áreas de risco de deslizamento”, afirma. “É o grande desafio dos profissionais que lidam com a recuperação de áreas degradadas”.

Ele lembra ainda que, no caso de Manaus e outras cidades, a ocupação urbana tem o agravante da degradação por deposição irregular de resíduos que, normalmente, vem sendo despejados nos rios, igarapés e lagos.

Custos

Quanto mais extensa a degradação, maior os custos para recuperação. Uma análise econômica de projetos de recuperação florestal, do pesquisador Luiz Carlos Estraviz Rodriguez, da USP, revelou que a reabilitação de uma área de 5,6 milhões de hectares em Minas Gerais, por exemplo, representaria mais de R$ 28 bilhões.  

No estudo, Rodriguez enfatizou que a recuperação de áreas degradadas geralmente é motivada no Brasil para adequação às leis, a obtenção de certificações, manutenção do empreendimento licenciado e também para assegurar o acesso a mercados mais exigentes.

 

Restauração ou reabilitação

“Para as áreas urbanas, usualmente se aplica a reabilitação, onde se recupera muitas vezes apenas a forma da floresta, ao passo que, quando se fala em restauração, busca-se a recuperação da forma e da função da floresta, ou seja, o equilíbrio ambiental típico das áreas naturais, o que é também a função das florestas”, explica Maurício Balensiefer.

Ele ressalta que as áreas degradadas nas cidades, mesmo as pequenas, devem ser reabilitadas para que se tornem passíveis de uso público. “Pela procura para a habitação, as áreas normalmente são ocupadas quase que na totalidade, restando poucas alternativas para lazer e espaço verde; em cidades do Paraná, há alguns exemplos de áreas degradadas que foram reabilitadas e transformadas em parques que hoje constituem inclusive atração turística”, acrescenta.

Roberto Brasil