Aluno do Ceti sofre ataque cardíaco e morre durante aula de educação física

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A escola de tempo integral não possui enfermaria

O estudante Edilbeth Pereira da Silva, 14, morreu após passar mal durante a aula de educação física no Centro Educacional de Tempo Integral (Ceti) Professor Engenheiro Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo, no bairro Cidade de Deus, Zona Norte de Manaus. De acordo com alunos, os primeiros socorros demoraram e a escola não possui enfermaria. 

O fato ocorreu por volta das 10h30 de sexta-feira (3), na quadra coberta da escola. Uma estudante do 9º ano que não quis se identificar contou que o Edilbeth estava correndo e pediu para ir beber água. “Ele tava com corpo quente, se afastou da aula e foi beber água. Logo depois caiu no chão, ficou se batendo. O professor tentou reanimá-lo, levou para área descoberta, mas não deu certo”, relata.

Outra aluna do 1º ano relatou que, em seguida, funcionários e professores ligaram insistentemente para o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), localizado a 500 metros da escola. “Como demorou muito a ambulância, tipo uns 15 a 20 minutos, os professores colocaram ele no carro e levaram para o Samu. Ele já saiu daqui ‘apagado’”, diz.

A reportagem do portal A Crítica apurou que a unidade do Samu não dispõe de médico nem desfibrilador. Na hora do atendimento, contava apenas com um técnico de enfermagem. Foi necessário o deslocamento do estudante.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc) informou que o pai do aluno e acompanhou todo o procedimento de socorro, desde o Samu.
Ainda de acordo com a nota, no caminho para o Pronto-Socorro Platão Araújo, na avenida Autaz Mirim, Zona Leste, a equipe do Samu encontrou outra ambulância com um médico “que examinou o aluno, mas infelizmente ele veio a falecer, ainda na ambulância, antes de chegar ao pronto-socorro”, diz a nota.

O serviço social do Pronto-Socorro Platão Araújo informou que o estudante deu entrada no hospital, mas que todos os exames e documentos ficaram com a Seduc.  Na recepção, não havia nenhum registro de Edilbeth Pereira da Silva.

A Seduc, por sua vez, negou que tenha ficado com os prontuários e informou que, conforme o laudo médico do Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi choque cardiogênico, fiblilação ventricular e comunicação interatrial (ataque cardíaco). A Seduc comunicou que deu apoio psicológico aos familiares e arcou com todas as despesas necessárias para o velório e enterro.

A equipe de A Crítica esteve no IML, mas foi informada no local que não havia registros de Edilbeth Pereira da Silva até o final da tarde de ontem, mesmo com a Seduc informando que o laudo com a causa da morte partiu do órgão.

A reportagem também tentou contato com a família do aluno, mas não obteve sucesso até o fechamento desta edição.

Sem observações na ficha

Edilbeth Pereira da Silva era aluno do 9º ano do Ensino Fundamental e estudava na escola desde o 6º ano. A Seduc ressaltou que não consta na ficha escolar do aluno qualquer observação ou laudo médico que mencione algum problema de saúde.

Do PORTAL A CRÍTICA

Roberto Brasil