Alergia alimentar é tema de audiência pública da Comissão de Saúde da Aleam

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Dep. Ricardo Nicolau

Dep. Ricardo Nicolau

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) promoverá no dia 24 de abril, sexta-feira, Audiência Pública para debater alergias alimentares como a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), tipo mais comum na infância que pode oferecer risco de morte nas reações mais graves. O evento será no Plenário Ruy Araújo, às 9h30.

Presidente da Comissão, o deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD) afirma que o objetivo da audiência será compartilhar informações e debater medidas concretas de combate às alergias alimentares. Dentre as metas está a implantação de uma política específica de atendimento e tratamento na rede pública de saúde.

Alimentos como leite de vaca e derivados, soja, ovo, trigo, peixes e crustáceos respondem por 90% das reações alérgicas. Estima-se que 350 mil crianças brasileiras possuem alergia à proteína do leite de vaca, de acordo com dados da Associação Brasileira e Alergia e Imunologia (Asbai).

Na Aleam, estão tramitando três Projetos de Lei (PL), de autoria do deputado Ricardo Nicolau, envolvendo o tema. Uma das propostas, o PL nº 100/2015, determina que todos os produtos alimentícios produzidos no Amazonas passem a informar nos rótulos a presença ou não de ingredientes alérgenos em sua composição.

 

“É preciso segurança na hora da compra. Com informações corretas e precisas nos rótulos, os portadores de alergia alimentar poderão ter mais qualidade de vida”, analisa o deputado, que encampou a causa após reunião com mães fundadoras do Grupo de Apoio a Crianças com Alergia Alimentar do Amazonas (Criale).

A Audiência Pública deverá ter a presença de representantes das Secretarias Estadual (Susam) e Municipal (Semsa) de Saúde; Secretarias Estadual (Seduc) e Municipal (Semed) de Educação; Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam); Conselhos Regionais de Medicina (Cremam) e Nutricionistas; Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel); Grupo de Apoio a Crianças com Alergia Alimentar do Amazonas (Criale); além de médicos, alergistas e pediatras.

Campanha #põenorótulo

O Projeto de Lei apresentado pelo deputado Ricardo Nicolau para obrigar a rotulagem destacada dos alérgenos nos alimentos embalados está em sintonia com a campanha nacional Põe no Rótulo. A coordenadora do movimento, a advogada Cecília Cury, confirmou presença na audiência pública.

O movimento foi criado no ano passado por pais de crianças com APLV que se uniram na internet (poenorotulo.com.br) para conscientizar sobre a importância da rotulagem para a segurança alimentar da população alérgica. Estudo da Universidade de São Paulo (USP) comprova que mais de 1/3 (39,5%) das reações alérgicas ao leite de vaca ocorrem por erros na leitura de rótulos.

Um dos primeiros reflexos da mobilização se deu com a Consulta Pública nº 29/2014, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que colocou em pauta a regulamentação da rotulagem de alergênicos em alimentos. O órgão anunciou que realizará audiência pública para discutir o tema até o mês de maio.

No exterior, a rotulagem destacada de alérgenos já é regra em diversos países, como EUA, Canadá, Japão, Chile, Austrália, Nova Zelândia e em todos os 28 países-membros da União Europeia.

 Proteína do leite x Lactose

O deputado Ricardo Nicolau observa que a APLV não é o mesmo que intolerância à lactose. “A alergia é uma reação do sistema de defesa do organismo às proteínas do leite, como a caseína”, explica. “Já a intolerância se dá pela dificuldade do organismo em digerir a lactose, que é o açúcar do leite, quando há diminuição da enzima que a digere.”

Especialistas apontam que é importante dissociar o termo “lactose” do tratamento da APLV, pois alguns alimentos sem lactose possuem as proteínas do leite. Dependendo de seu grau de sensibilidade, o alérgico pode sofrer anafilaxia (obstrução das vias aéreas), edema de glote (inchação da laringe impedindo a passagem de ar para os pulmões), entre outras reações graves.

 Sintomas e diagnóstico

Os sintomas podem surgir em minutos, horas ou dias após a ingestão de leite de vaca ou derivados. Eles podem ser digestivos (vômitos, cólicas, diarreia, dor abdominal, prisão de ventre, etc), cutâneos (urticária), respiratórios (asma, chiado no peito, rinite), reação anafilática, baixo ganho de peso e crescimento.

O diagnóstico da APLV é considerado difícil, pois pode-se levar até quatro meses para confirmar este tipo de alergia, desde o surgimento dos primeiros sinais ao diagnóstico em si. O médico deve analisar o histórico clínico do paciente associando os sintomas à ingestão do alimento suspeito.

Quando diagnosticado, o único tratamento comprovadamente eficaz é a eliminação do leite e todos os seus derivados da dieta da criança. A maioria dos alérgicos passa a tolerar o leite de vaca por volta dos 5 anos, mas há registro de casos em que o problema continua até a fase adulta.

Mario Dantas