Agricultor é morto com estocadas e tem o pescoço cortado, em Parintins

By -

Gabriel Dias Fragata confessou ter assassinado o agricultor (Fotos: Cleimer Carneiro/Divulgação e Arqluivo Familiar)

Seis homens- sendo três deles adolescentes – são suspeitos de participar do homicídio do agricultor Osvaldino Nobre Viana, 49 anos, morto com seis estocadas e pescoço cortado, na noite de sábado, 20 de maio, na comunidade Sagrado Coração de Jesus, no rio Tracajá, zona rural do município de Parintins.

Do grupo, somente Gabriel Dias Fragata, 25 anos, confessou ter executado o assassinato, alegando que a vítima teria tentado estuprar um irmão menor de 16 anos. Familiares do agricultor negaram a acusação que foi feita pelo assassino confesso.

Em exame de necropsia na Sala de Medicina Legal, anexa a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), neste domingo, 21 de maio, o legista Jorge de Paula Gonçalves atestou seis perfurações no corpo, sinais de espancamento e corte de mais de 90% do pescoço da vítima, com a cabeça apenas segurada pela pele.

De acordo com o especialista, os cortes atingiram as costas, peito e abdômen. Osvaldino morava próximo, na Colônia Toledo Pizza, e participava da programação festiva da escola da comunidade Sagrado Coração de Jesus. Os suspeitos do crime teriam convidado a vítima para beber juntos na beira do campo de futebol.

Após o homicídio, o grupo fugiu em uma canoa movida a motor rabeta. A comunidade notou o desaparecimento do agricultor e uma testemunha viu marcas de sangue nas mãos de um dos jovens.

Os suspeitos foram capturados em uma operação da Polícia Civil, em ação conjunta com a Polícia Militar, na comunidade Bom Socorro do Zé Açu, na manhã deste domingo. Na delegacia de Polícia Civil, Gabriel Fragata assumiu a culpa, sem demonstrar arrependimento, e negou a participação dos outros integrantes do grupo. Os familiares de Osvaldino Viana decidiram fazer o sepultamento em um cemitério da comunidade Colônia Toledo Pizza por volta das 16h30.

A irmã da vítima, Maria de Jesus Viana, contestou a versão apresentada por Gabriel Dias Fragata, que acusou Osvaldino de tentativa de estupro, e não tem dúvidas de que todos os presos têm participação no crime. “A comunidade é testemunha de que isso não é verdade. É conversa e um argumento para se defender. Ele tem um irmão que já matou a própria tia, Dona Maria da Caridade da Silva Dias, por causa de um isqueiro, em novembro do ano passado. Ela foi espancada e teve o pescoço cortado igual ao meu irmão”, desabafou.

A família do agricultor e os comunitários temem que os suspeitos sejam soltos. Eles desconfiam que o plano é apenas um confessar o crime, enquanto os demais escapam para intimidar os moradores das duas comunidades próximas. “Eles não são inocentes e fugiram juntos. Se não estivessem envolvidos, teriam ficado na comunidade. Estamos abalados. Eles podem marcar a gente para se vingar, uma vez que procuramos justiça”, relatou um comunitário, que não quis se identificar por receio de ameaças de morte.

Nesta segunda-feira, dia 22 de maio, o delegado de Polícia Civil de Parintins, Bruno Fraga, vai prestar maiores esclarecimentos sobre o caso e abrir o inquérito para apuração da morte do agricultor.

Roberto Brasil