A PACIÊNCIA DO NOSSO POVO E O MUNDO POSSÍVEL

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Ademir-RamosHoje pela manhã cedo voltei à biblioteca assim como se vai à roça para colher as batatas, macaxeiras e frutas para o café matinal. Com a mesma determinação também agir no interesse de me alimentar espiritualmente para resistir contra os capetas, golpistas e outros arrivistas que para se dar bem são capazes de mentir, de dar pernadas e chutes na canela, contanto que consiga o lucro imediato e, ainda mais, feito isso acha que é “o cara” e passa a chamar o povo de otário e de Zé Mané. Contra esses males do mundo é necessário se proteger e se salvaguardar ideologicamente porque de tanto sofrer esses danos morais podemos nos embrutecer e nos tornarmos igual ou pior que esses alpinistas da política nas praças.

Foi assim que me lembrei dos ensinamentos de Frei Carlos Mesters, com que estudei a exegese dos salmistas na década de oitenta, recorrendo a uma de suas obras populares “Seis Dias nos Porões da Humanidade” (1978). Nestas páginas, o professor Carlos Mesters expressa profundo sentimento reflexivo com a vida dos comunitários de Areia Seca, situada na serra entre o Ceará e o Estado do Piauí, no nordeste brasileiro. Visita esta que ocorreu por uma semana, a contar do dia 10 de novembro de 1975.

Entre as lições que o Mestre nos dá encontramos aquela que se ouve por todos os cantos: “Paciência! Vamos aguentar! Deus ajuda a gente! Ele quer assim”. Desta máxima o autor afirma que: “Sei que Deus não quer isso! Mas fico pensando também o seguinte: é graça a esta sua “paciência” que o povo ainda existe, e que ele continua a lutar para não morrer de fome e para sobreviver nos filhos. Se ele não tivesse esta paciência, tão criticada e até menosprezada por alguns de nós que sabemos das coisas, nós mesmos já não teríamos povo pra nele criticar esta religiosidade passiva, pois o povo já teria entregue os pontos e já não existiria; nós mesmos, que somos filhos deste povo, talvez nem teríamos nascido! Nem por isso convém exaltar a passividade da religião do povo, mas convém começar a desconfiar da nossa lógica que critica com tanta facilidade esta mesma religiosidade”.

Para Carlos Mesters, a paciência do povo não é tão passiva como poderia parecer à primeira vista. A partir desta conclusão, Mesters envereda pela semântica da cultura política das mentalidades, superando os fundamentalistas, que reduzem o texto sagrada em “sopa de letrinha” e assim justifica a passividade e a subordinação de nossa gente. Para ele não, “paciência” e “paixão” são duas palavras que tem a mesma raiz e indicam a mesma realidade: ambas conduzem a ressureição através da resistência. Em suma, é Meio que determina Fim iluminado pela fé de que o céu, profeticamente, “é uma festa que nunca se acaba”. E, segundo o Apocalipse: “Vi um novo céu e uma nova terra! VI DESCER DO CÉU, DE JUNTO DE DEUS A CIDADE SANTA, a nova Jerusalém, tão bonita como uma noiva toda enfeitada para ir ao encontro do seu noivo!” (Ap 21,1-2).

A resistência vivida e compartilhada no campo das relações de poder ganha força quando se acredita no mundo possível e, assim sendo, vislumbra-se o novo a se construir historicamente aqui e agora sem perder a dimensão celestial que se faz bela no encontro dos amantes por resgatar a Justiça Distributiva e mover forças para superação da desigualdade social. Para esse fim, a resistência é politicamente uma arma capaz de qualificar à luta dos povos por sua libertação calçada na participação popular e ino controle das instituições democráticas.

Em tempo: Avisamos aos militantes sociais e aos apoiadores do Novo Projeto Jaraqui, movimento popular que tem como expressão a forma de um observatório político que se realiza através da Tribuna Popular armada todos os sábados na República Livre do Pina, na Praça da Polícia, que estaremos fazendo abertura de nossas atividades no sábado, 02 de maio, das 10 às 12h, para qual contamos com apoio e a participação de todos (as) que acreditam no Brasil justo e soberano longe bem longe do PT e de seus comparsas.

Roberto Brasil