A NOVA ESCOLA: EDUCAÇÃO COMO DESENVOLVIMENTO

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Ademir-RamosPassado o carnaval a meninada volta às aulas dando vida as escolas que se encontravam fechadas e às vezes com sua estrutura precarizada reclama dos governos e de seus agentes administrativos manutenção sistemática para melhor atender a comunidade escolar, não só em seu aspecto arquitetônico, mas, sobretudo, no que diz respeito à qualidade do ensino aprendizagem comprometendo diretamente os profissionais da educação, em cumprimento as Metas do novo Plano de Educação, que o governo estadual e dos municípios estão obrigados a cumprir caso contrário podem ser enquadrados em crime de responsabilidade com ameaça de perda do mandato motivado por forças populares. Acredito ainda não ter sido contagiado pela retórica dos bacharéis que “ciscam mais do que pensam” quando chamados a analisar a realidade objetiva das coisas e até mesmo expor seus próprios projetos. O fato é que a educação sem Meta é um barco sem vela dificilmente chegará a um porto seguro, por isso, o movimento do pensamento deve necessariamente contemplar o desenvolvimento da pessoa como um todo centrado na estreita relação da conquista do conhecimento por meio da leitura do mundo, em articulação com o ânimo dos agentes quanto à sua competência e habilidade na perspectiva de garantir a realização dos objetivos propostos às vezes temperados por motivações subjetivas no curso de determinadas culturas e sociedades. Outras vezes prisioneiros por um passado sombrio que imobiliza o pensamento enquanto construção complexa de uma prática educacional responsável e cidadã. Enfim, a educação que faz pensar é um ato concreto que se traduz em linguagem e representações material e imaterial a se manifestar por meio de políticas públicas educacionais, que aceitam ou não modelo convencional a exigir às vezes criação de novas tecnologias de aprendizagem para validar se necessário for projeto de educação da Nova Escola da que queremos. A dureza desse processo requer metodologia e aprendizado, recorrendo aos meios necessários para efetivação das mais de 20 Metas legalmente aprovadas e sancionadas pelo poder público com referendo popular dos Fóruns de Educação assentados na representação da sociedade organizada, visando à valorização dos profissionais; ampliar o investimento público para educação; gestão democrática e organização das escolas; bem como também universalizar ainda este ano, a educação infantil na pré-escola para as crianças de quatro a cinco anos de idade e ampliar a oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até três anos até 2014, final da vigência do Plano de Educação, bem como outras metas.

EDUCAÇÃO ESCOLAR: No Brasil, assim como nas sociedades complexas o lócus desta construção tem sido a escola seguida de suas práticas pedagógicas operacionalizadas por profissionais que julgamos preparados a promover a iniciação às ciências exatas, da natureza e da linguagem, em atenção a primeira e a nona série se tratando do ensino fundamental, quanto ao ensino médio à indefinição é tanta que o abandono nas escolas públicas tem sido gritante denunciando o desgoverno que impera atingindo milhares de jovens socialmente excluídos e economicamente desamparados. Na verdade, o ensino básico está completamente fora do eixo, a começar pela violenta exclusão das crianças das creches e quando se reivindica o efetivo direito de acesso a creche ouve-se argumento de que a família é também parte deste processo, recorrendo ao preceito legal, que idealizou uma família nos moldes tradicionais, ignorando propositalmente a perversa desigualdade social que assola a sociedade nacional caracterizada por extrema pobreza, expropriando dos filhos dos trabalhadores o direito a escola pública competente e de qualidade. A conjuntura nacional da educação atualmente pode ser comparada há uma realidade tão volátil, impossibilitando a construção de qualquer projeto que não seja desta natureza. Nessas condições de extrema pobreza e miséria social alarmante imputar as família a responsabilidade da educação dos seus filhos e exigir que as orientem em sua formação é querer tirar “leite das pedras”, embora se reconheça que em condições materiais sustentáveis o dever da família é sim de responsabilidade social em reciprocidade com o Estado. Mas, no entanto, pelas razões apresentadas as crianças e jovens não devem ficar e nem se sentir desemparadas, tornando-se presa fácil do crime organizado que recorre sistematicamente aos “serviços” dessa meninada para livrar das grades os chefões dessas organizações que se multiplicam tanto no contexto urbano das cidades como também nos lugares mais longínquos da nossa Amazônia.

A NOVA ESCOLA: A escola pública é a principal fronteira humana saudável que as crianças e os jovens têm para desenvolver sua competência e habilidade, por isso é que exigimos do Estado escola em tempo integral, bem como responsabilidade de seus governantes quanto à aplicação dos recursos destinados a escola por meio de programas de formação dos profissionais de educação, da segurança alimentar, transporte escolar, saúde na escola, cultura, esporte, entretenimento, educação sexual, artístico e artesanal orientado para a cidadania e sua qualificação para o trabalho no contexto das formações sociais. A função da escola deve ser amplamente discutida tanto junto a comunidade escolar como também em seu contexto social e comunitário na perspectiva de compartilhar as metas e estratégias para o desenvolvimento do ensino aprendizagem sob a chancela das lideranças e organizações locais criando brigadas comunitárias que sirvam de salvaguarda protetora, não só para o patrimônio material da escola, como também do próprio projeto pedagógico, que traz em si os objetivos finalísticos da educação, integrando as ações de políticas públicas centradas na produção, educação e saúde, envolvendo as famílias dos educandos nesse processo. Para isso, o Estado deve investir na formação de gestores escolares, selecionando candidatos por mérito e compromisso com o trabalho focado na sustentabilidade da escola como unidade produtiva de conhecimento, serviços e produtos mediado por equipes de trabalho multidisciplinar e interinstitucional, invertendo em longo prazo a pirâmide estrutural, descentralizando as ações das Secretarias de Educação, colocando os meios e recursos instituídos a serviço das escolas para dar apoio e sustentação as equipes de trabalho local focado numa política de desenvolvimento sustentável. Para efetivação destas ações é necessário criar novos protocolos de trabalho com aval direto do Poder Executivo mediado pelo poder legislativo, devendo trabalhar politicamente estas liderança partidárias para combater qualquer tipo de atrelamento das ações e muito menos a cooptação de lideranças aos projetos eleitorais quem sabe inaugurando uma nova prática de cultura política em nosso meio. A nova escola assim consumada deve promover a educação como âncora de um governo popular agregando os meios e recursos necessários fundamentados na diversidade das concepções e na pluralidades política dos agentes produtivos. Assim sendo, a educação se transformaria numa política de Estado como requer o Plano Nacional de Educação (Lei 13.005, de 25 de junho de 2014) e o governo servidor maior do seu povo.

Roberto Brasil