A LAVA JATO E A SOBERANIA POPULAR

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Na trajetória educacional, nos meus estudos e nas minhas inserções na cultura popular tenho aprendido e muito quanto à qualidade de uma determinada abordagem junto ao público, que por sua vez diferencia-se de acordo com a conjuntura, interesse e motivação, considerando ainda o lugar da fala e sua rede de comunicação de forma interativa visando seduzir, comprometer ou pelo menos criar uma identificação com o outro para afirmação de determinado projeto, proposta ou atitude que aproxime ainda mais o ator do seu público e venha somar, aderir ou consumir suas ideias no universo político, socioeducativo e cultural.  Esta relação é tensa e requer do ator principal habilidade quanto ao domínio dos recursos disponíveis e, sobretudo, no trato com o público, devendo se pautar com respeito, confiança e sinceridade, embora o político corrupto não paute sua conduta por estes valores referenciados, mas, necessariamente deva aparentar tê-los na possibilidade de dar legitimidade a sua fala, estabelecendo com o seu público uma conexão identitária capaz de envolvê-lo em seu discurso, melhor dizendo, em sua trama eleitoreira, impulsionada para o embate das propostas ou teses acreditando na utopia das realizações como ação da política ou até mesmo personificando suas metas na perspectiva de se firmar como liderança carismática apta a mediar os interesses deste público como “salvador da pátria”.

VÍCIO E ENCANTAMENTO: O líder carismático, segundo Max Weber “é especificamente instável”. E, por sua vez, “não deduz a sua autoridade de códigos e estatutos, como ocorre com a jurisdição de cargo” é o que nos ensina o mestre Weber quanto “A Sociologia da Autoridade Carismática”. É instável, sobretudo, por ser esta autoridade personalista e por não pautar seu comportamento político profissional pelo ordenamento das instituições tal como o Estatuto Programático do Partido. Desta feita age como se estivesse acima das leis apostando sua força no clamor das massas, que por sua vez vivem ludibriadas pelas promessas salvadoras destes políticos oportunistas arrotando esperança de melhores dias para este povo despossuído. Narcotizado pela miséria, estes brasileiros que vivem na cidade e no campo, abandonados socialmente, aproveitam as eleições para ganhar “um tostão dos milhões” da seara política dos candidatos trocando voto por comida. Despossuído de seus valores e expropriado de suas riquezas esta gente projeta nos aventureiros políticos uma possibilidade de redenção, como se estivesse negociando a alma com o diabo para poder prolongar a vida por mais alguns dias. Assim sendo, quanto maior o vicio da corrupção, maior será a miséria e dominação do povo, impactando diretamente as instituições democráticas e os poderes constituídos.

LIÇÕES DA LAVA JATO: A Operação Lava Jato que é um dos braços da Justiça Federal ensina a todos que na Democracia ninguém, absolutamente ninguém, está acima da Lei. Ensina-nos também que nesta Forma de Governo, o Poder Judiciário exerce função de controle e equilíbrio institucional, em cumprimento a Constituição Federal, salvaguardando as instituições de Estado relativo às garantias da soberania popular, o que representa a joia do nosso povo configurado nos valores Republicanos. A Lava Jato além de resgatar a política como campo moral e ético passa a exigir dos partidos políticos e de seus agentes conduta de respeito às leis e ao povo, dando um basta às práticas populistas que se alimentam da miséria e da ignorância da nossa gente, partindo do princípio de que “os fins justificam os meios”.  Ganham-se as eleições por meio ilícitos e depois, cinicamente, vão para disputa nos Tribunais apostando na força do poder da máquina do Estado movido pela propina das empreiteiras que bancaram as eleições destes políticos, no horizonte de saquear o orçamento público, com obras superfaturas direcionando licitações e reduzindo o Estado aos interesses privados. A mensagem está dada cabe ao povo e as suas lideranças sociais acordarem deste pesadelo manifestando sua indignação nas ruas e praças unindo forças por eleições limpas em defesa de um Brasil Justo e Soberano.

Roberto Brasil