A ESCOLA E A VOCAÇÃO DA CIÊNCIA

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A partir desta semana o Congresso Nacional retoma as atividades parlamentares pautando questões de grande importância para o presente e futuro da Nação brasileira. Na agenda política, o Impeachment da presidente petista Dilma Rousseff acusada de “crime de responsabilidade – atentado a Constituição”, fato este que deve se estender por todo o mês de agosto, o que afeta diretamente o processo eleitoral em curso.

Na verdade quanto mais se prolonga este pesadelo petista mais o Brasil tem dificuldade de reordenar sua economia com foco na retomada do crescimento. Paralelo ao Impeachment discute-se também entre outros Projetos, as novas medidas econômicas; a reforma da Previdência; o endividamento dos Estados e Municípios; o Projeto de lei 193/2016, do senador Magno Malta (PR-ES), que institui o “Programa Escola sem Partido.” Discussão esta orquestrada pela chamada “bancada da bíblia e da bala”, com representação parlamentar dos fundamentalistas, astutos defensores dos interesses de algumas Igrejas Evangélicas, com mandato nas Câmaras e Assembleias por todo o País.

No Estado do Amazonas, esta frente fundamentalistas vem sendo capitaneada pelo deputado Platiny Soares (DEM), que é um dos adesistas do projeto político do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ). O deputado Platiny é autor do Projeto de Lei Ordinário 102/2016, datado de 12 de dezembro de 2016, que “institui no âmbito do sistema estadual de ensino o ‘Programa Escola sem Partido”.

O Projeto do deputado amazonense é literalmente uma cópia da propositura do senador Magno Malta e de outros parlamentares que integram esta Frente Moral, Sexual da Família com rasgo do pensamento medieval contrária ao “desencantamento do mundo”, como destacou o sociólogo alemão Max Weber, no alvorecer do século 20, quando em sua conferência “Ciência como Vocação” afirmara que:

“O destino da nossa época, com a sua racionalização, intelectualização e, sobretudo, desencantamento do mundo, consiste justamente em que os valores últimos e mais sublimes desapareceram da vida pública e imergiram ou no reino trasmundano da vida mística, ou na fraternidade das relações imediatas dos indivíduos entre si.”

O sociólogo alemão ofereceu uma chave de leitura para compreender as transformações em processo nas estruturas sociais exigindo da família e de seus agentes a “imersão desses valores”, não para negar a ciência e a racionalidade dos tempos modernos, mas, para firmar no campo da sociedade a diversidade, o reconhecimento e respeito aos valores formadores da identidade nacional exaltando a pluralidade e a defesa do Estado Democrático Direito.  

FALSO PROBLEMA: A defesa do “Programa Escola sem Partido” é um falso problema que tem por fim deslocar a discussão para questões meramente ideológico divorciado da história e do seu tempo, tentando convencer a todos (as) que a Escola é uma extensão da família e por esta razão deve ser regida pelos “padrões de julgamento e de conduta moral” de uma família ideal imersa nos valores religiosos, afrontando o Estado laico, que por natureza é e deve ser desnudado de qualquer identidade evangélica e de outra profissão de fé, bem como contrário também à redução da coisa pública a favor dos interesses de corporações privadas, afrontando os valores Republicanos que são fundamentos do Estado Democrático fincado na pluralidade, isonomia e em defesa da dignidade da pessoa humana.

A questão levantada pela Frente Moral, Sexual da Família presente no “Programa Escola sem Partido”, em vez de discutir e formular políticas públicas que fortaleça a Organização da Escola quanto à relação do processo de gestão escolar e comunidade com plena participação dos alunos, profissionais da educação e pais de alunos, focado na elaboração e consecução dos objetivos do Projeto Político Pedagógico da Escola.

Ao contrário, imputa ao Professor (a) a responsabilidade dos males da Escola a começar pela prática de cooptação político-partidário ou ideológico, qualificando o professor de ser um doutrinador e usurpador do direito dos pais porque, segundo a propositura dos parlamentares signatários do “Programa Escola sem Partido”, um Estado que se define laico “não pode usar o sistema de ensino para promover uma determinada moralidade, já que a moral é em regra inseparável da religião”. Mais uma falácia porque a moral das religiões é apenas uma das formas comportamentais seguida de seus princípios e valores a regrar a conduta dos seus devotos enquanto o Estado laico, que se pauta pela ética (moral) da responsabilidade orienta-se pela ciência do Direito Positivo e não pela convicção ou ideologia religiosa dos parlamentares da Frente Moral, Sexual da Família. Ademais, em se tratando da prática da docência Max Weber, em “Ciência como Vocação” ensina-nos que: “Se alguém é um professor eficiente, então a sua primeira tarefa é ensinar os seus alunos a reconhecer os factos incômodos, ou seja, aqueles factos que são incômodos para a sua opinião partidária; e para todas as opiniões partidárias – inclusive, a minha – há factos extremamente incômodos.”

 

O que o mestre quer nos dizer é que a prática da docência não é personal e muito menos doutrinária orienta-se pelos fatos a provocar espanto ou admiração, contrariando às vezes seus próprios valores. Desta feita, o professor cumpre com seu ofício respaldado nos paradigmas científicos, colocando-se acima de qualquer posição política partidária, religiosa ou dogmática. A prática de ensinar é via de mão dubla requer que tenhamos também a capacidade de aprender e assim sendo, ler o mundo não como um diletante das estrelas, mas, como um cidadão, filho do seu tempo, a construir pontes que nos relacione e aproxime do que muros que nos exclui e divide causando a intolerância, preconceito, discriminação e guerra. A rejeição ao “Programa Escola sem Partido” está estampada também no Portal do Senado Federal, que por dever de ofício fez uma consulta pública sobre o PLS 193/2016 e até quinta-feira (4) às 8h34:32 foram computados 369.351 votantes, sendo 189.629 contrários ao Programa e 179.722 a favor.   

SOLIDARIEDADE A FAMÍLIA DO SANDRINHO: Na quinta-feira, 28 de agosto, às 20h, aproximadamente, os moradores do Parque Residencial Ouro Negro, localizado no Coroado III, na Zona Leste de Manaus, sofreram um grande golpe com a morte do amigo eterno Sandro Simões Rodrigues, conhecido como Sandrinho, por sua extensa rede de amigos que ele soube cativar. Jovem, alegre, cheio de sonhos teve a vida ceifada por bandidos provocando tamanha indignação e revolta entre amigos, moradores e familiares a gritarem por Justiça e ao mesmo tempo a exigirem do Estado segurança pública para que possa viver em paz tanto nas ruas como em casa junto aos seus familiares.  Sandrinho era de fato o síndico do “Ouro Negro” cuidava com muito zelo da portaria, limpeza e das demais atividades afins. Foi morto, mas deixou aos moradores um grande legado, que prometem honrar, mobilizando a força dos comunitários que nesta hora reivindicam junto ao Estado a efetivação de um Plano de Segurança seguido de ações articuladas entre as polícias orientadas tanto pela inteligência operacional como também pela força repressiva capaz de combater severamente o crime organizado assegurando às famílias do Amazonas Justiça e Paz Social. 

Mario Dantas