Balão seria solução para monitoramento em Mamirauá, afirma pesquisador

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Reginaldo Carvalho

Reginaldo Carvalho

Um balão dirigível (aeróstato) com câmeras, sensores e conexão de rádio acoplados seria a solução encontrada para ajudar a fazer monitoramento de biodiversidade e de intrusão na reserva sustentável Mamirauá.
O experimento, concebido pela equipe do projeto ARTES com o financiamento da Fapeam, é coordenado pelo professor do Instituto de Computação da UFAM, Reginaldo Carvalho, doutor em Engenharia Elétrica e Computação, e deve ser testado ainda esse ano na reserva.
No próximo domingo, uma comitiva de pesquisadores especialistas em sistemas computacionais e robóticos visitará a reserva para conhecer os problemas in loco.

Atualmente, os estudos utilizam rádio telemetria e colares GPS para
monitorar onças, peixes-bois, macacos, aves e invasões na floresta. “Precisamos de solução porque todos os nossos equipamentos quebraram com descargas atmosféricas e por causa da grande quantidade de sedimentos na água, que entopem os equipamentos”, disse o diretor-técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDS
Mamirauá), João Valsecchi, em palestra na Escola Avançada de Sistemas Computacionais e Robóticos, na manhã de hoje.

João Valsecchi

João Valsecchi

Distâncias e difícil acesso, calor e umidade, ausência de energia elétrica continuada, comunicação inexistente na maioria das áreas, resistência ao clima e intempéries amazônicas (descargas elétricas, grande quantidade de sedimentos no ambiente aquático, insetos, etc.), entre outras, estão os desafios levantados por Valsecchi.

De acordo com ele, o monitoramento por rádio exige a presença constante dos pesquisadores em campo e um esforço muito grande e as tecnologias de satélite não são aplicáveis ao ambiente amazônico devido à necessidade de um componente flutuante do transmissor, que pode chamar a atenção de caçadores e também ser facilmente removido em áreas de igapó.

Onças
Atualmente, 12 onças-pintadas estão em monitoramento por meio de um cordão de GPS. A dificuldade relatada por Valsecchi está na captura dos animais. Uma armadilha é colocada em trilhas. “Mas a checagem das armadilhas é feita de forma manual. A cada seis horas, os pesquisadores precisam ir in loco saber se alguma onça foi capturada. Por que não implantarmos um bipe junto às armadilhas com monitoramento de câmeras? Evitaria deslocamento a cada seis horas e acidentes envolvendo os pesquisadores, por exemplo”, disse.

Mario Dantas