Sepror estuda modelo para inserir piscicultura no âmbito do agronegócio

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Com um quantitativo de produção 21 mil toneladas de peixe por ano, a piscicultura no Amazonas prepara-se para dar um salto nos próximos três anos, a partir do planejamento de desenvolvimento da cadeia. Para isso, a Secretaria de Estado de Produção Rural e Sustentabilidade (Sepror) vem estudando modelos de cultivo a serem adotados e incentivados no Estado, sendo o tanque rede um dos mais viáveis já conhecidos até o momento.

O padrão já adotado em Mato Grosso e que vem rendendo bons resultados – o Estado é hoje o maior produtor de peixe do País com 75 mil toneladas/ano, segundo o IBGE – foi apresentado à comitiva oficial do Amazonas durante visita ao Estado da Região Centro-Oeste no último final de semana, que esteve em uma unidade demonstrativa na barragem de Manso, em Chapada dos Guimarães (a 67 quilômetros de Cuiabá).

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De acordo com o secretário executivo adjunto de Pesca e Aquicultura do sistema Sepror, Geraldo Bernardino, a nova tecnologia permite um melhor aproveitamento do grande volume de água existente no Estado e pode ser adotada no lago de Balbina, por exemplo, a partir de adaptações de acordo com as características locais da água. Enquanto a área alagada no Amazonas é de 240 mil hectares, a de Manso é de 44 mil hectares.

Um modelo de 600m3 permite a produção de 25 a 50 toneladas por safra e é flexível, permitindo a adequação conforme a capacidade de operacionalização do produtor. O tanque rede de 100 m³, por exemplo, tem capacidade de produção de 5 toneladas por safra.

Além disso, o investimento necessário para a produção de uma tonelada de peixe em tanque-rede é de 30% a 40% do valor utilizado para criação em viveiros convencionais. Em Mato Grosso, o custo inicial fica em torno de R$ 85 a R$ 100 mil por unidade, podendo ser produzido com tubos de polietileno de alta densidade (PEAD), normalmente em formato cilíndrico; e de estrutura metálica, à base de ferro galvanizado.

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Para a contenção de peixes e proteção contra predadores aquáticos, a tela é feita de fios de aço inox. O tamanho da malha é definido em milímetros e varia de acordo com a espécie.  

Segundo o diretor técnico da Associação dos Aquicultores de Mato Grosso (Aquamat) e também produtor, Francisco das Chagas de Medeiros, este fato, aliado às altas produtividades que o sistema oferece, tem sido responsável pela grande expansão que se tem observado em todo o mundo.

Para o secretário de estado de Produção Rural e Sustentabilidade, Sidney Leite, a cadeia piscicultora será desenvolvida a partir da adoção de novas tecnologias, fomento à iniciativa privada para a instalação de frigoríficos e consequentemente incentivo aos pequenos criadores, aliados à concessão de crédito facilitado para os produtores. O objetivo, segundo ele, é inserir a atividade no âmbito do agronegócio no Amazonas

“Pelo que vimos, o sistema de criação de peixes em tanques-rede permite maior facilidade para a despesca, além do uso ótimo do espaço com o máximo de economia e isso com intensificação da produção. O trâmite para concessão do uso da água também não é complicado e basta o produtor apresentar o projeto”, afirmou Leite. A autorização é obtida junto ao Ministério de Pesca e Aquicultura, caso as águas sejam da União, e junto aos órgãos licenciadores estaduais, caso o espaço aquícola não ultrapasse as fronteiras do Estado.

O secretário ressaltou ainda o fato de a criação em tanque rede ser um modelo sustentável e que aumenta a população de peixe na localidade, devido à oferta de alimentos e aos resíduos como material fecal, responsáveis pelo teor a mais de nutrientes no sistema, principalmente nitrogênio e fósforo, enriquecendo o ambiente.  

Atualmente, o Amazonas produz 5 mil toneladas de pescado ao ano, oriundo da piscicultura. São aproximadamente 1,3 mil piscicultores que exploram de mais de 1,5 mil hectares de área alagada distribuídos em vários sistemas de produção entre tanque escavado, viveiros em barragem e canais de igarapé.

Fábrica de ração

A comitiva visitou ainda a fábrica de ração da multinacional Matsuda, instalada no estado desde 2012, com capacidade para processamento de 36 toneladas/hora em farelos e 15 toneladas/hora na extrusão (produto final). 

Além do secretário Sidney Leite, integraram a comitiva o presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), Miberwal Jucá; o secretário executivo de Pesca e Aquicultura do Amazonas, Geraldo Bernardino; e os deputados estaduais Dermilson Chagas e Orlando Cidade.

Mario Dantas