15 ANOS: EUA ainda temem atentado como 11/9

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Bombeiro pedia reforço enquanto trabalhava nos escombros do World Trade Center após atentado

Bombeiro pedia reforço enquanto trabalhava nos escombros do World Trade Center após atentado

“Estamos mais seguros?” A cada novo aniversário dos ataques que ceifaram 2.977 vidas na manhã de 11 de setembro de 2001, os americanos repetem a mesma pergunta.

Naquele dia, 19 homens jogaram aviões sequestrados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e uma das cinco alas do Pentágono. Uma outra aeronave caiu na Pensilvânia.

Quinze anos depois, seis especialistas consultados pela Folha concordam: orquestrar outro atentado tão grande não seria tão fácil. Mas, na guerra psicológica, o outro lado sai ganhando.

Os EUA gastaram US$ 7 bilhões na segurança de aeroportos e trilhões na guerra ao terrorismo em países como Iraque, Afeganistão e Síria. A população, contudo, nunca se sentiu tão insegura.

Segundo o Centro de Pesquisa Pew, 40% dos americanos creem que os terroristas estão mais preparados para um ataque mais espetacular que o de 11/9 —maior índice da série, iniciada em 2002. Medo justificado?

Em partes, afirma o professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) John Tirman. “Há vulnerabilidades. Me vêm à mente grandes complexos industriais ou usinas nucleares.”

CIFRAS DO 11 DE SETEMBRO

8h46
Hora do 1º ataque

18 mil
Pessoas no World Trade Center

2.977
Mortos nos prédios de NY, no Pentágono e na queda do avião na Pensilvânia

19
Autores

1.800.000 toneladas
Escombros retirados do World Trade Center

Desde 2001, 94 pessoas morreram no país em ataques ligados a radicais islâmicos, aí incluídas as 49 vítimas do mais mortal deles, numa boate LGBT em Orlando, em junho —uma fração das milhares de vítimas na Europa e no Oriente Médio.

A reação ao 11/9, para Tirman, piorou as coisas. Entre elas “regar as sementes do radicalismo islâmico”, como cita no livro “100 Ways America Is Screwing Up the World” (cem formas que os EUA estão ferrando com o mundo).

Outros itens são guerra ao terror (“hipócrita, mal concebida, mas muito conveniente”) e tortura (“tente algo efetivo em vez de pura vingança”). “A invasão ao Iraque foi um retrocesso dramático, e [a facção terrorista] Estado Islâmico é resultado direto dela.”

SEGURANÇA

O mundo era outro pré-11/9. Na véspera, um relatório do FBI colocava ativistas de direitos dos animais como maior risco de turbulência.

A rotina nos aeroportos é um bom indicador de tempos que não voltam mais. Era possível chegar minutos antes da viagem; hoje, há quem perca voos domésticos mesmo aparecendo três horas antes, tamanhas as checagens.

Despedir-se no portão de embarque, levar xampus na mala de mão e levar o filho para conhecer a cabine do piloto? No século 20, podia.

Hoje, o vaivém nos saguões é limitado, frascos são vetados e o comandante se isola com uma porta blindada. Mas o esquema é falho.

Em 2015, o Departamento de Segurança Nacional testou os aeroportos. Agentes tentaram passar armas e até um explosivo falso. Conseguiram em 67 de 70 tentativas.

Há, ainda, abertura para xenofobia. Professora da Universidade Stanford, Priya Satia conta que até hoje seu filho está na lista negra de passageiros. Seu nome, Kabir, alarmou as autoridades em 2011. Ele tinha três anos.

Fora os lobos solitários: num país onde se compra armas com facilidade, como impedir que um extremista abra fogo num lugar público como a Times Square, onde transitam 460 mil pessoas por dia?

Phil Stanton, do trio Blue Man Group, diz que logo após o atentado se questionou sobre como fazer comédia enquanto “lidávamos com o inimaginável” e a sensação de nunca estar a salvo. O grupo fez um vídeo com papéis que voaram das Torres Gêmeas, exposto no Memorial 11/9.

Para Robert Crews, professor em Stanford, “matar militantes não acaba com a militância”. Enquanto isso, afirma, “os americanos aprenderam a tolerar censura, vigilância e discriminação contra muçulmanos e minorias”.

*Com FOLHAPRESS

Roberto Brasil